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quinta-feira, 8 de março de 2012

Deus castiga?

   Enfim, não vou enrolar. Vou direto ao ponto. Deus castiga ou não? Vejo muita gente falando do assunto sem embasamento bíblico. Tentarei resolver essa problemática aqui nesse post de forma rápida. 
   Primeiro, o que é castigo? Castigo é encarado como uma punição por um ato, como caráter retributivo (você quebrou, você concerta. Se não pode, você paga pelo prejuízo), mas também como algo educativo, quando um pai, e.g., não quer que o filho pague o estrago, mas que aprenda que estragar é errado. 
   Se encaramos o castigo com a concepção de caráter retributivo, então estamos corretos em afirmar que Deus não castiga. Pelo menos não os filhos, uma vez que todo castigo pelo estrago feito de nossos erros já foram pagos por Cristo. ("Havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, tirou-o [Jesus] do meio de nós, cravando-o na cruz." Colossenses 2:14). 
   Agora se, por outro lado, conseguimos ver o caráter educativo, com função ética do castigo, então estamos de acordo com:  "Porque o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho.Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija?"Hebreus 12:6-7
   Assim, vale lembrar também que Deus não necessariamente castiga todo pecado cometido. Ele tem total legalidade para não punir, uma vez que todo o estrago já foi pago. Tem total legalidade pra não castigar de forma alguma, já que o Crente pode se encontrar profundamente arrependido e educado quanto ao malefício do tal deslize cometido. 
   Nestes termos, podemos concluir que Deus castiga sim. Não para punir, mas para educar, e isso, que fique claro, quando lhe aprouver fazê-lo. Não é regra que ele castigará. Se ele castigar, seus olhos não devem ver um carrasco, mas de um pai amoroso tirando a faca da mão de um bebê.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Porque Deus amou "tanto" o mundo... Será???

 Talvez o versículo mais conhecido da bíblia tenha sofrido um ultraje. Acontece que a NTLH traduziu "tal maneira" como "tanto".

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. 
João 3:16 (Almeida Corrigida e Revisada Fiel)



Enfim, qual o problema?
   O problema está no significado do adverbio "tanto". Tanto é um advérbio de intensidade. Significa, em uma outra possível tradução que Deus amou muito, bastante, o mundo. O problema com isso é que o amor de Deus para salvar não é mensurado (pelo menos não na intenção desse versículo). Não é a quantidade que torna o amor de Deus relevante, mas a maneira, a qualidade desse amor. É então qualitativo e não quantitativo.
   A "tal maneira" é a maneira já expressa em Isaías:

Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro. 
Isaías
43:25


   Resume bem a ideia de João 3:16. Deus resolveu salvar pecadores por amor de si. Mas porque "por amor de mim mesmo"? Simplesmente porque não havia, não há, e não haverá nada no homem, no mundo, que Deus considere digno de seu amor, porque de fato não há. Até a bondade humana é corrompida. O amor fingido, com interesse mesquinho, a caridade por status ou desencargo de consciência, o conforto contrastando a miséria lado a lado. enfim, nada realmente bom na prática. E ainda que alguma coisa boa venha brotar no coração do homem, seus próprios crimes o condenam. É por isso que Deus amor o mundo por amor de si mesmo, e por isso que dar outro sentido à "tal maneira" é um ultraje, uma ofensa ao evangelho.
Sola Scriptura

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Universalismo e Aniquilacionismo: Seis e meia dúzia

Por Leonardo Goncalves

Não gosto de falar “grego” quando o assunto é teologia. Detesto ter que usar os jargões teológicos, acessíveis apenas aos iniciados. Me alegro cada vez que consigo pregar sobre expiação, justificação e regeneração sem usar nenhuma dessas palavras.
Acontece que alguns jargões estão entrando na moda, principalmente depois que o John Piper retuitou um texto do Justin Taylor, no qual o maior ícone emergente da atualidade, o pastor Rob Bell, é acusado de ensinar o “Universalismo”. Assim que saiu a propaganda do livro, Mark Driscoll, Joshua Harris e outros pastores estadunidenses excomungaram o Rob Bell no Twitter.
Mas afinal, o que é esse tal universalismo, e porque ele é tão perigoso?
Universalismo é a crença que afirma que todas as pessoas serão salvas por Deus. Em sua versão filosófica, ele apela para as emoções humanas e insinua que um Deus bom jamais enviaria as pessoas para o inferno. Já a versão teológica está fundamentada na má interpretação de alguns textos bíblicos.
O que está implícito no Universalismo, e essa é a principal razão porque os cristãos devem fugir dessa heresia, é que ela anula o sacrifício de Cristo na cruz. Ora, se o homem será salvo sem os méritos da cruz, por que razão Deus enviou seu filho para morrer por nós? Além disso, a doutrina universalista nega a justiça de Deus revelada no juízo eterno. Neste caso, está implícita a doutrina herética de que todo homem “merece” a salvação, e que ninguém merece o inferno. Na contramão desta afirmação estão textos como Romanos 3.23, 6.23, Ec 7.20, Rm 3.10-20, que afirmam que todos os homens são pecadores carentes da misericórdia divina.
E o aniquilacionismo? Aniquilacionismo é a crença de que Deus não enviará ninguém ao inferno, mas destruirá os homens ímpios no dia do juízo. Eles serão, segundo essa doutrina, literalmente aniquilados. A natureza desse aniquilamento é algo que eles não conseguem explicar, mas na prática é algo como ser “desintegrado”, mais ou menos como acontece nos desenhos animados e nos filmes futuristas. Esta doutrina geralmente é defendida pelas seitas “Testemunhas de Jeová” e “Adventista do Sétimo Dia”.
Mas, quais são as implicações da crença aniquilacionista? As mesmas do universalismo! Tal como o universalista, o aniquilacionista não consegue imaginar Deus enviando as pessoas para um inferno literal. Eles também se igualam aos universalistas ao negarem a justiça de um castigo eterno. Enxergam o inferno como uma sentença injusta. Esquecem-se que aqueles que pecaram contra um Deus absoluto são dignos de um castigo absoluto. Ignoram que os que pecam contra um Deus eterno só podem ser penalizados com um castigo eterno. Como disse o Mark Driscoll: “Merecemos o inferno. Tudo mais é um presente”.
Por esta razão, insisto em dizer que tanto a crença na aniquilação como a crença na salvação universal são ultrajantes. Ambas minimizam o sacrifício de Cristo na cruz, e ambas relativizam a justiça de Deus no julgamento do pecador. As duas furtam a glória de Cristo. São seis e meia dúzia.
[ Púlpito Cristão ]

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Existe diferença entre pecadinho e pecadão?


   Hoje em dia é difundida uma resposta generalizada para essa pergunta: NÃO, não existe. Mas o presente post visa fazer uma análise dessa asseveração e suas implicações.
   Primeiramente, precisamos de um texto para basear nossa meditação. Sugiro Ezequiel 18:4
Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá.
   Olha ae. Deus não faz distinção entre pecados. Simplismente a alma que pecar, essa morrerá. Não tão rápido assim!
   Voltaremos nesse texto posteriormente. Por agora, para os que defendem que não existe diferença entre pecados, eu lhes apresento alguns textos:

1 Samuel 2:25a “Se o homem pecar contra outro, Deus o julgará; mas, se um homem pecar contra Deus, quem intercederá por ele?”
Provérbios 6:16-19 “Há seis coisas que Jeová aborrece; Sim, há sete que a sua alma abomina: Olhos altivos, língua mentirosa, E mãos que derramam sangue inocente; Coração que maquina projetos iníquos, Pés que se apressam a correr para o mal; Testemunha falsa que profere mentiras, E o que semeia discórdia entre seus irmãos.”
1 João 5:16-17 “Se alguém vir seu irmão cometer um pecado que não é para morte, pedirá, e Deus lhe dará a vida para aqueles que não pecam para morte. Há pecado que é para morte, por este não digo que alguém rogue.Toda a injustiça é pecado, e há pecado que não é para morte.”

   Talvez você, leitor, tenha dúvidas sobre alguma coisa levantada por estes assuntos, mas não vou, com este post, entrar no mérito. Só quero que perceba que os textos mostram claramente uma distinção entre pecados. Existem mais textos, mas considero estes suficientes. Então, para os que apressadamente disseram não à pergunta feita no título dessa postagem, atentem-se para uma suposta “contradição”. Se não existe, porque Deus faz a distinção? E se ele faz distinção, porque ele generaliza como se não houvesse tal em Ezequiel?
   Para solucionar tal questão é preciso analisarmos lógicamente a questão do pecado. Existe diferença entre dar um soco em uma pessoa e matar essa mesma? Claro que sim. E creio que todo mundo sabe que assassinar é pecado tanto como agredir, mas não na mesma intensidade. Huuum... Mas então, diria alguém, a diferença está na consequência. Agora faço uma pausa para apresentar duas possíveis interpretações do conceito de pecado.

1 Esse primeiro conceito separa a consequência do pecado. O pecado é igual, mas a consequência é que é diferente. Assim o pecado é todo ato/sentimento contrário à vontade de Deus. Não se discute a consequência aqui, mas sim se é pecado ou não.

2 Para essa interpretação o pecado é um ato/sentimento contrário à vontade de Deus, com uma consequência arraigada. Veja que nesse conceito não se pode desprender o pecado com sua consequência.

Qual destas duas interpretações é a correta?

   Bem, para ambas interpretações é comum pensar que o pecado tem consequências. Mas está óbvio a diferença entre elas. Uma parece não se importar se a consequência é grave ou se é branda. Para a outra isso será de extrema importância.
   Talvez você não tenha notado ainda, mas perceba que a interpretação 1 endossa Ezequiel 18:4, pois não importa a consequência, sendo que todo aquele que pecar, morrerá. Não importa qual pecado, contando que seja pecado. Já a interpretação 2 endossa os textos que fazem distinção entre pecados. Porque essa diferença? Simples. A primeira interpretação não exclui a segunda. Ela apenas trata de uma perspectiva diferente.
   Veja: Todo pecado é suficiente para condenar a pessoa a um eterno sofrimento, pois é um atentado contra um ser santo. Em outras palavras, em consequências eternas e salvação, todos os pecados são iguais. Eles tem a capacidade de condenar eternamente o pecador.
   Por outro lado, é certo que a gravidade do pecado se faz visível na consequência, e não se pode excluir tal, pois existe notória diferença entre eles. A própria lei que Deus deu aos homens no êxodo, punia diferentemente os diversos tipos de pecado. A própria lei, em questão penal, trata os crimes (pecados) de forma diferente, imputando penas mais severas aos delitos mais ofensivos. A consequência incorpora o pecado. Não há no que se falar em matar, sem que exista o morto. Não há no que se falar em roubar, sem o objeto para apropriar-se. Separar a consequência do ato é desfigurar o ato. E o raciocínio vale até mesmo para a “tentativa”. Se a consequência não importa, não existe o pecado de matar, mas simplismente o pecado. Mas então eu vou intentar fazer o que, se o próprio conceito específico de pecado (no caso, matar) está desfigurado? Vou tentar alcancar qual consequência? Portanto é importantíssima a consequência para definição do pecado.
   E porque definir? Primeiro porque as consequências do pecado podem ou não serem punidas ainda nessa terra. Em questões de salvação, o sangue de Jesus é suficiente para nos purificar de todo pecado. Mas não é difícil imaginar que se um pastor mata um irmão na igreja, seu ministério fique comprometido, diferente  dele mentir para sua esposa de que está com dor de cabeça e não quer ir lavar a louça. Os dois pecados são passíveis de condenação eterna? Sim. Os dois pecados são perdoados, mediante arrependimento, por intermédio de Cristo? Sim. A consequência temporal (antônimo de consequência eterna) é diferente? Sim.
Então, para cada tipo de pecado, além de uma punição diferente, ressalta-se o tratamento desse pecado. Tratamento no sentido de ajuda prestada ao pecador. Se alguém mente muito, é preciso que ela perceba que a verdade é muito mais saudável. É importante que ela entenda que, seja por qual motivo for, a mentira é um caminho destrutível, que lhe tira o crédito. Se ele é um assassino, é preciso que ele entenda o valor da vida, do outro, e que ele fique preso até que isso aconteça, pois seu pecado tem consequências na sociedade. E é nessas consequências na sociedade que reside um dos principais motivos de se fazer distinção de pecados. Quanto mais grave for o pecado, maior interferência terá na sociedade, prejudicando um número maior de pessoas, ou prejudicanto com mais intensidade as mesmas.
   Terceiro e último ponto. Além da importancia de determinar a devida punição, de saber como tratar o pecador e a consequencia na sociedade, ainda há espaço para mais uma importancia na distinção do pecado: o pecado é diferente para o próprio pecador. O próprio pecador sente na pele a diferença entre adulterar na mente e adulterar de fato. Os dois pecados, igualados por Jesus no sermão do monte, são passíveis de punição (condenação) por Deus? Sim. Inclusive era isso que Jesus queria mostrar. Mas a consequência é evidentemente diferente para o próprio adultero. Tanto fatídicas, como psicológicas. Por certo que se for adultério de fato, a mulher do sujeito vai sentir-se muito mais esculachada do que se for na mente (que por sua vez é muito mais difícil de se descobrir). Agora psicológicamente, a distinção é evidente também, e talvez tenha até ligação com a consequência fatídica. Ilustro aqui um jogo de futebol. Quem joga bola sabe a diferença entre errar um passe que nada prejudica o time e errar um gol, o gol da vitória. Como aquela culpa martela na cabeça!
   Portanto quero concluir que sim, existe diferença entre pecadinho e pecadão. Todo pecado é igualmente suficiente para te condenar. Todo pecado é igualmente perdoado por meio de Jesus Cristo. Mas haveria de se falar em “todo” pecado, se todos fossem igual. Bastaria falar que o pecado é condenável. Isso só mostra que a diferença no pecado está intrínseca em nós. A diferença que existe está na gravidade, consequência. Consequência está que não pode separar-se do ato/sentimento.
   Uma ultima observação que faço é que, apesar de existir pecadinho e pecadão, o pecadinho deve ser também combatido, pois sutilmente ele te prejudica muito. E desprezá-lo te leva a reiteradamente cometê-lo, até que a consequência seja tão caótica quando a do pecadão.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O que é dom de celibato?


O dom do celibato é a capacidade dada por Deus aos homens de viver sem a necessidade de relacionamento sexual. A incapacidade de resistir à necessidade de relacionamento sexual é o sinal de que o indivíduo não tem este dom:
“Mas, se não podem conter-se, casem-se…” (I Coríntios 7.9)
Como todo dom, é dado a alguns cristãos e não a outros:
“Porque quereria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um de uma maneira e outro de outra”. (I Coríntios 7.7)
O objetivo desse dom é que o indivíduo fique livre pra se dedicar plenamente a obra de Deus, sem preocupações secundárias com família.
“E bem quisera eu que estivésseis sem cuidado. O solteiro cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor; Mas o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher”. (I Coríntios 7.32-33)
Os dons dados por Deus para os cristãos são concedidos para o serviço na Igreja pela soberana vontade de Deus e não pela determinação autônoma do homem:
“cada um ande como Deus lhe repartiu, cada um como o Senhor o chamou. É o que ordeno em todas as igrejas”. (I Coríntios 7.17)
“Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis”. (I Coríntios 12.18)
É um dom muito útil em trabalhos missionários em lugares perigosos em que não convém que um homem coloque toda sua família em risco.
Contudo, a imposição do celibato conforme praticado pelo catolicismo romano é descrito pela Bíblia como uma doutrina de demônios:
“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência; Proibindo o casamento…” (I Timóteo 4.1-3)
É uma doutrina de demônios, pois é uma tentativa de determinar, de forma autônoma, aquilo que somente Deus tem o direito de conceder. [...]

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O problema de julgar: até onde ir com a tolerância?

Por Cleber Olympio
"Quem é você para julgar teu próximo? Acaso estás se colocando na posição de Deus?"
Um dos argumentos mais usados em debates apologéticos, em quaisquer fóruns de debates - cristãos e não cristãos - versa sobre a questão do julgamento. Boa parte deles é derivada da famosa passagem bíblica, tratada como se texto de lei fosse: "Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão." (Mateus 7:1-5). Acontece que, como sabemos, muitos equívocos são cometidos quando alguém tira a passagem bíblica de seu contexto, e termina por deturpar o ensino bíblico sobre a questão do julgamento.
1. Da necessidade de julgar
Afinal, qual a raiz do problema? O ser humano, até como instinto de autoproteção, começa a colocar - ou até a impor - freios numa situação de conflito. É, de fato, desagradável uma sensação de antagonismo, vinda de quem quer que seja. Se a pessoa consegue se armar, inclusive psicologicamente, é um bom aspecto; difícil é quando a pessoa se sente acuada, sem ter como enfrentar a força contrária. Restam-lhe alternativas possíveis: render-se, atacar ou o escape. Render-se fica sem cogitação; atacar só é possível com as armas certas; daí que lhe vem, até como meio instintivo de sobrevivência, buscar um escape. Nisso vem a problemática do "não julgar" que, como colocado pelo argumento da tolerância, não possui qualquer validade, senão é uma tentativa errônea e grosseira de se fugir de uma questão.
Esse instinto de sobrevivência, em nome da cordialidade e da tolerância, mascara por vezes uma atitude arrogante de quem não admite a perda, diante de evidências ou argumentos mais fortes. Escorar-se numa pretensa base bíblica não conduz a nada, mas acaba sendo uma alternativa contra quem levanta o argumento e também não está devidamente protegido contra a "falácia do não julgar". Falácia é um argumento que possui a aparência de verdade e legitimidade, mas que no fundo esconde uma enorme mentira.
A cordialidade e a tolerância, levada a limites fora da normalidade, conduz a um comportamento incoerente e insensato. O crente é levado pelo seu Senhor a provar pensamentos e atitudes, a exercer suas faculdades mentais para promover uma análise de tudo o que se lhe apresenta aos olhos. Não fosse assim, Paulo não teria recomendado aos crentes: "Examinai tudo. Retende o bem" (1 Tessalonicenses 5:21). Em outra passagem, o mesmo Paulo exorta aos coríntios: "Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados" (2 Coríntios 13:5). Os crentes de Bereia examinavam as Escrituras para conferir se o que os apóstolos ensinavam era, de fato, verdade (Atos 17:11). Jesus mesmo manda que exerçamos nosso discernimento, examinando as Escrituras (João 5:39). Examinar, analisar, pesquisar, procurar, são atitudes do intelecto, que precisa exercer sua capacidade de juízo. Julgar, então, é necessidade de quem caminha com Jesus. Obedece-se aos mandamentos somente por meio da análise de uma situação real e com o juízo transformado pelo poder da Palavra de Deus, a fim de se produzir uma atitude. Se o crente não pudesse julgar, como viveria a realidade dos mandamentos de Cristo? Seria ele submisso a dogmas, impostos por um deus raivoso e mesquinho, que se preocupa tão somente em exigir comportamentos diversos de uma civilização, já corrompida pelo pecado? Entendemos que não. Deus sempre mostra, por toda a Bíblia, que sua Palavra tem finalidade educativa. Os versículos áureos sobre a importância das Escrituras demonstram plenamente esse fator: "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra" (2 Timóteo 3:16-17).
Vê-se, então, que há coerência na atividade do julgar, inclusive por necessidade de se viver uma vida cristã autêntica, com plena capacidade de discernimento, orientado em obediência às Escrituras. Outro aspecto é a condução necessária do crente na atividade julgadora, uma vez que ele deva examinar todas as coisas e reter o que é bom. Sendo assim, por que pautar-se numa suposta tolerância e expressão de cordialidade para supostamente evitar um confronto?
2. Do julgamento justo
Aparentemente a tolerância ensinada por Jesus deva ser observada em quaisquer circunstâncias. Cita-se também a passagem em que Jesus liberta a mulher adúltera, partindo-se do seguinte encadeamento de ideias: "Jesus condenou quem tivesse pecado e perdoou a adúltera - Ora, Jesus tem o poder de julgar alguém, e sou pecador - Logo, eu não posso julgar ninguém". Esse raciocínio também é falacioso. A inferência à primeira afirmativa não leva em consideração que Jesus usou-se de um julgamento com um importante adjetivo: "justo". Nisso ele exerceu um julgamento coerente, dada a situação em que se apresentava a condenação pura e simples de uma adúltera, sendo que seus algozes cometiam adultério e coisas até piores aos olhos de Deus às escondidas. O sentido do ensino de Jesus era demonstrar a força do perdão divino a quem cometeu uma série de pecados, não de produzir apenas um julgamento e execução de sentença conforme a Lei de Moisés. Caso ele apenas condenasse a adúltera, demonstrando somente a necessidade da aplicação da lei, que estaria fazendo, senão uma repetição de atos de pecadores, embora ele mesmo não tivesse pecado? Seu ensinamento estaria em franca contradição, ainda mais sendo Jesus conhecedor dos corações de cada um da multidão que se preparava para lapidar a mulher pega em adultério.
Com isso, havemos de discernir sobre o julgamento justo. Deus tem sua medida de justiça, e com ela exorta os homens: "Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida? Então, se tiverdes negócios em juízo, pertencentes a esta vida, pondes para julgá-los os que são de menos estima na igreja?" (1 Coríntios 6: 2-4) Em todos os períodos há a certeza de que os santos haverão de julgar, seja o mundo, os anjos, ou até mesmo as coisas pertencentes a esta vida. O dever de um santo é julgar. Santo é aquele separado por Deus para constituir um povo eleito e para exercer, perante todos, as ordens de seu Pai celeste no que este comandar. Se isso deve ser feito até entre irmãos - versículo 5: "Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos?" - quanto mais no que diz respeito a outros assuntos, conforme a necessidade?
A restrição bíblica que se faz a esse respeito está exatamente no termo "justo". Julgamento sem justiça produz injustiça. Se Deus investe os seus santos crentes com a capacidade de a tudo julgarem, Ele o faz requerendo justiça; caso contrário, não é julgamento que proceda do Deus cujo nome é Justiça. Deus requer que o homem faça justiça: "Assim diz o SENHOR: Guardai o juízo, e fazei justiça, porque a minha salvação está prestes a vir, e a minha justiça, para se manifestar" (Isaías 56:1). Repare o leitor acerca da importância de se praticar a justiça, a fim de que a própria justiça divina se manifeste. Não fosse assim, por que Deus incluiria na lei mosaica o mandamento de não se fazer injustiça no juízo (Levítico 19:15)? O justo age exatamente como o salmista: "Fiz juízo e justiça; não me entregues aos meus opressores." (Salmos 119:121). Deus ama a justiça e o juízo (Salmos 33:5); naturalmente, seus filhos amados haverão de observá-la e exercê-la e, ao agirem assim, nada mais farão do que a vontade do Pai.
Sendo assim, fazer julgamentos e exercer a justiça é próprio de quem caminha com Deus, conquanto o faça com a mesma motivação justa de seu Pai celeste. Se, porventura, o crente distorce a justiça, e passa a julgar por seu próprio entendimento, sem que haja fundamento baseado na verdade da Palavra de Deus, ele proferirá um julgamento injusto. Ele se tornará um hipócrita, que não enxerga as próprias falhas e vê as menores praticadas por seu irmão, assim como Jesus diz no texto de Mateus 7. Ele se tornará inimigo da verdade e condenado a suportar o mesmo fardo de justiça que tentou impor a quem não tinha culpa. Nisso estão as opiniões puramente pessoais, baseadas por vezes em suposições preconceituosas e relegadas a costumes, sem qualquer embasamento bíblico; isso também esconde um comportamento legalista ou ascético, que impõe a dureza da letra da lei para que o incauto, debaixo de uma força normativa, venha a se calar e a acatar os mandamentos como lhe são apresentados, sem ponderar. O mesmo comportamento legalista é aquele que provoca a simples conclusão de que "o crente não deve julgar", contrariando João 7:24: "Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça".
Outro texto usado pelos defensores do "não julgar" encontra-se em Romanos 14:10: "Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo". A solução para esse aparente problema encontra-se justamente na segunda questão: "por que desprezas teu irmão?" Ora, se há desprezo por parte de quem julga, então o julgamento é parcial, interesseiro. Logo, não é justo, e não deve ser feito. O julgamento com justiça persiste, portanto.
3. O comodismo e os perigos da tolerância
O comportamento legalista de comandar um "não julgamento" encerra dois perigos: o de produzir comodismo e o de tolerar o pecado. A postura cômoda de não enfrentar uma ideia antagônica torna-se perigosa por produzir indiferença quanto à verdade. Exalta-se a ignorância, com o pretenso argumento de que "no dia do Juízo Deus trará a lume todas as coisas, e que para isso não estamos preparados". Ora, Deus nos deu discernimento para usá-lo; se não o fazemos, cometemos pecado. O fato, ademais, de não termos como vislumbrar um julgamento futuro de todas as coisas não nos dá o direito de ignorarmos o ensino do exercício do juízo, inclusive para assuntos relacionados à nossa jornada nesta terra. E ainda: exercemos nesta vida propósitos e promessas que nos são dadas por Deus, e para tanto ele dá pessoas como juízes, inclusive para executar juízos em seu Nome. Relegar ao "etéreo" é uma forma de escapar da realidade, um recurso ridículo diante da seriedade com que a justiça divina deva ser levada. Por pura negligência, causada pelo comodismo, ações não são corrigidas hoje, e com isso mais vítimas são feitas pelas obras da injustiça.
Além disso, busca-se evitar o conflito pela pretensa tolerância. Comportamentos, organizações e fatos têm clara omissão em nome de uma cordialidade que não deveria existir. Deus chama os pecados pelo nome, e assim deve ser para conosco. Não se defende a "falta de educação", tampouco a falta de compromisso trazida pela tolerância exacerbada. Esse comportamento esconde medo do confronto, de uma indesejável exposição, afora outras consequências advindas de um comportamento mais ousado, desde que esteja seguramente pautado pela Palavra de Deus. O crente deve repudiar a tolerância a qualquer custo: por conta de não agir dessa maneira, toleram-se comportamentos mundanos no seio da igreja, a penetração de doutrinas estranhas que dividem o povo, a semelhança cada vez maior de cultos com shows e espetáculos produzidos por ímpios, dentre outras características que trazem repulsa ao Senhor e serão objeto de julgamento naquele Dia. E se somos do Senhor, devemos repudiar exatamente as mesmas obras, sob pena de sermos julgados pecadores por conivência ao aceitarmos conscientemente algo que Deus condena. O limite da tolerância está naquilo que contrarie, ainda que sutilmente, os ensinamentos das Escrituras. O pecado deve ser tratado como pecado, não como um "sentimento negativo" ou uma "energia do mal". Erros doutrinários devem ser tratados como problemas passíveis de eliminação da seara do Senhor. Tais ideias podem soar como "radicais", mas o ensino de Cristo é radical! Se não fosse assim, por que a Palavra foi comparada como espada? Jesus trouxe a espada, não a paz da falsa tolerância! Não se pode tolerar o pecado: caso tivessem sido tolerantes, Ló e sua família jamais teriam escapado de Sodoma.
Conclusões
Dessa maneira, podemos concluir que:
  • Julgar não é um mau em si mesmo, pois a tudo devemos examinar e reter o que é bom.
  • Julgar é necessário, pois é coerente com o discernimento que possuímos da parte de Deus.
  • Julgar não é tarefa exclusiva de Deus, pois se O imitamos, temos dele a propriedade para exercer juízo sobre todas as coisas.
  • Julgar, porém, deve ser feito sob o exercício da justiça, para não produzir o efeito contrário.
  • Julgar, ainda que contrarie o argumento da pretensa tolerância, deve ser efetivado, pois o crente verdadeiro não concorda com aquilo que a Bíblia chama de pecado, tampouco vem a exercer, em sua vida particular, comportamentos que o levem a ser incluído entre os mentirosos e os hipócritas.
  • Julgar é um ato de obediência à verdade e de amor a Deus, pois Ele é justo e ama a justiça.
Dessa maneira, que ninguém venha a condenar o leitor na sua nobre e necessária atividade de julgar. Que isso seja feito em plenitude, de modo justo e imparcial. Quem é de Deus não se dobrará à chantagem de um argumento que, baseado na mentira, no egoísmo, na falsidade e na corrupção, tenta promover exatamente o contrário da justiça: a tolerância com o erro.

Obra de referência:
KUIPER, Doug. Julgar: O Dever do Cristão (trad. Felipe Sabino de Araújo Neto). Covenant Protestant Reformed Church. Disponível emhttp://www.cprf.co.uk/languages/portuguese_judging.htm. Acesso em 23/05/2010.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Por que honrar aos pais?

   Que base os pais têm para que os filhos sejam obrigados a tratá-los com honra? Não estamos pergutando o que um pai tem que fazer para merecer o direito de ser honrado. Os pais têm um direito natural de receber honra simplesmente porque conceberam e cuidaram de um filho. O dever do filho pressupõe o direito do pai, mas, porquê?

   Eliminemos primeiramente algumas razões plausíveis, mas equivocadas, que fazem da honra um dever do filho. Primeiro, está a mística do sangue. O sentido judaico-cristão do dever filial não se baseia sobre o rito consanguínio da transição, na experiência do nascimento. Algumas pessoas poderão sentir uma sensação de reverência com os seus antecedentes que canalizaram o sangue da vida que há neles para formar uma família, passada e futura. Mas, o que está por trás do dever da honra não é a mística do sangue, senão a opção moral, não num sentido de reverência, mas numa vontade de manter a ordem familiar.

   O dever de honrar os pais tão pouco é conseqüência da pecaminosidade do filho. Os filhos não são mais pecaminosos do que os pais, e deixar um menino em liberdade não é mais arriscado do que dar autoridade a um pai. Se as famílias existissem num mundo perfeito, sem dúvida os pais ainda assim estariam encarregados dos filhos, mesmo que estes fossem perfeitos. O dever da honra, como a maioria das obrigações primárias, não está arraigado na natureza pecaminosa do menino, mas no propósito divino para a família divina.

Em terceiro lugar, não devemos a honra aos nossos pais em gratidão pelo que por nós fizeram. Provavelmente a maioria de nós sente muita gratidão pelos seus pais, ainda que muitos outros acumulam ressentimentos pelas graves faltas que cometeram. Onde abunda a gratidão, também há um poderoso motivo para obedecer ao mandamento, mas esta não pode ser a razão básica, pela qual Deus a proclamou. A razão do mandamento tem que estar no tecido da família, na função de que os pais devem desempenhar no crescimento e criação dos filhos.

   Se existe alguma razão pela qual os pais têm um direito ao respeito da parte dos seus filhos, sugiro que é da autoridade. Na pequena sociedade chamada família, em que se experimentam intimidades humanas prazeirosas e penosas pertencentes à relação humana fundamental, uma das fortes fibras que mantêm unida a aliança é a autoridade dos pais. Atualmente a autoridade não é uma faceta muito popular da vida familiar, e incontáveis lares abandonaram deliberadamente, confundindo a autoridade com uma espécie de tirania a que todos os que respeitam os direitos da criança devem destruir. Não obstante, vou argumentar que a autoridade paterna, corretamente entendida, é essa qualidade que todos os pais têm e que corresponde a honra que os filhos devem tributar-lhes. A autoridade é a coluna vertebral da vida familiar. É tão importante para a força da comunidade humana que o Senhor Deus, num dos cinco mandamentos fundamentais para a vida, nos chamou a honrar os nossos pais devido ao chamado que tinham de criar-nos e guiar-nos, enquanto seus filhos, sob o seu cuidado.

Extraído de Lewis B. Smedes, Moralidad y Nada Más, Nueva Creación, pp. 83-85.
Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Jesus te ama?


   Muitos Cristãos, por pura ignorância, tem usado o famoso jargão pensando fazer algo que agrade a Deus e cheio de significado. Pensam que ao dizer “Jesus te ama” estão cumprindo a grande comissão de “ir por todo mundo e pregar o evangelho”. Alguns, não tão incoerentes, ainda sustentam um evangelismo realmente descente após isso. Outros acham que as tais palavras mágicas são suficiente para que o Espírito Santo faça o resto, e o evangelismo estará “completo”.   

   Venho com o presente artigo demonstrar de forma rápida e um tanto que agressiva que essa prática é anti bíblica. É uma mentira, uma negligência e uma ignorância profunda quanto ao evangelismo que as escrituras nos aconselham.

    Primeiro ponto a se refletir é sobre o fato de que Jesus não ama a todos. Pelo menos não com amor salvador. Caso contrário ele não poderia ser onipotente, uma vez que toda a obra salvadora é de suas mãos, e que o homem não pode se salvar. Portanto, como poderia esse Deus amoroso, munido de todos os meios para conquistar e salvar uma pessoa, deixar alguém que ama ir para o inferno? É no mínimo incoerente. De fato  Deus ama toda a criação. Mas não ama, de maneira especial, quem não é filho. Alguns podem até alegar o texto de Atos 10:34 ou Cl 3:11 mostrando que Deus ama a todos por não fazer acepção de pessoas e ser um em todos. Mas quanto à acepção, o texto mostra que Deus aceita tanto o chamado, a priori, de seu povo (a saber, o povo judeu), quanto os ímpios que se convertem. Isso fica claro pois Pedro, um judeu, confiante da salvação apenas ao povo israelita, como outros, fora ensinado por Deus a pregar o evangelho também aos que outrora não eram deliberadamente alvos do evangelho (pelo menos na cabeça do judeu). O segundo texto mencionado (o de Colossenses) também tem uma noção parecida. A questão tratada ali é sobre a diferenciação do velho homem (que sendo judeu, ou grego, bárbaro, cita, enfim, é diferente) com a semelhança dos novos homens, no sentido de agora pertencerem ao mesmo corpo. Cristo é “um” em todos os seus, e todos os seus não são todos os não seus (isso fere a lei da não-contradição e é um absurdo!).  Agora se você ainda duvida que ele tem os seus exclusivos, peço que examine João 17:6 e 17:9. Portanto, abordar alguém com os dizeres “Jesus te ama” é fruto de uma ignorância quanto às verdades bíblicas. E não existe sequer uma abordagem parecida com essa no novo testamento.

   O segundo ponto que se deve considerar, é que ainda que isso fosse verdade, e Jesus amasse a todos, isso não tem nada a ver com evangelismo. Isso não gabarita as pessoas a compreenderem o evangelho e se converterem. Talvez ela emocionalmente se interesse por Deus, mas isso é apenas uma carência demonstrada pela pessoa que poderia ser alvo de qualquer tipo de abordagem não cristã, como “Buda te ama”. Primeiramente porque aquela pessoa não tem nem noção de quem de fato é Jesus. Segundo porque ela não sabe as implicações de Jesus amar alguém. Terceiro porque isso não explica o plano de salvação, que é um conhecimento essencial para a salvação (e afirmo categoricamente que ninguém é salvo sem conhecer o plano de salvação).

   Portanto, se você, assim como eu, já fez dessas palavras uma expressão de evangelismo, arrependa-se e não o faça mais. Pois isso faz de Deus ou um mentiroso (por não salvar quem diz amar e portanto não amar de fato), ou um ser não onipotente (por não conseguir salvar a todos quanto ama).   

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Peixe, Símbolo do Cristianismo?


   Sim, o peixe foi um dos símbolos do Cristia­nismo. O peixe era alimento básico entre os ju­deu. Embora duas vezes tenha sido objeto de mi­lagre, e assim como o pão tornou-se símbolo de Cristo, assim também o peixe pôde ser lembra­do como provisão de Deus. Uma vez que o pei­xe era um alimento essencial, a profissão de pes­cador era comum. O Senhor Jesus usou a figura do pescador e da pesca para exemplificar o discipulado e a abrangência do Reino de Deus.

   Os ministros de Deus são chamados pescado­res, porquanto procuram conquistar os homens para Cristo e para o reino (Mt 4:19; Mc 1:17; Lc 5:10).
   Como símbolo cristão, a palavra grega para peixe, ichthys, era dividida como segue: / (Je­sus); ch (Cristo); th (de Deus); y (Filho); s (Salva­dor). A frase grega, por inteiro, era: Ieosous Christós Theou hyiós, Soter, ou seja: Jesus Cris­to, Filho de Deus, Salvador.



   Tornando o mais famoso acróstico da Antigüidade e de toda a História, sem dúvida, foi criado pelos primitivos cristãos. Tomando as letras iniciais da frase grega Iesous Christós, Theou hyiós, Soter (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador), que era escrita com uma palavra abaixo da outra, formou-se o acróstico ichthus (peixe), animal adotado como símbolo místico por esses religiosos. Eis o acróstico, em grego:


   Além de ser o acróstico mais conhecido, esse foi também o mais perigoso em toda a História. A prática do Cristianismo só se tornou totalmente liberada no início do século IV. Durante o primeiro século da Era Cristã, os cristãos foram perseguidos e presos. Muitos deles faleceram nas arenas romanas, lutando contra leões. A associação de qualquer cidadão romano com esse acróstico, sinal secreto de adesão à doutrina cristã, bastava para que ele se tornasse uma vítima da intolerância religiosa do Estado romano.
   Observe a imagem do peixe ainda preservada nas catacumbas romanas, onde os cristãos primitivos se encontravam para praticar secretamente o culto.
   O Peixe foi um dos primeiros símbolos cristãos, os cristãos para se identificarem desenhavam no chão o peixe, assim podiam conversar sobre Cristo com outro cristão, sem correr o risco de ser morto por um perseguidor, hoje esse simbolo continua a ser usado por algumas denominações cristãs.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O presente


   Imagine a seguinte cena. É seu aniversário, e aquela tia rica foi convidada. Certamente, como todos os anos, ela vai ir à sua festa e, como sempre, te levar um presente formidável. Então, muita gente já chegou, e muitos te dão muitos presentes, uns que você realmente gostou, outros que... é, você "ganhou" e ta lá, naquele canto onde os presentes “não tão legais” ficam. Até que eis que chega a bendita. Você a recepciona na porta de sua casa, e se fingindo de bobo nem liga pro presente que ela trouxe. Mas dentro de você a expectativa é grande. Sua tia te conhece bem. Você sempre deixou bem claro do que gosta e você gosta, sei lá, de vídeo game. Então ela sorridente pega um embrulho dentro de sua caríssima bolsa e lhe entrega. Você mal pode esperar pra abrir. Ela, autoconfiante, pede para você abrir o presente na frente dela mesmo. Afinal, qual o problema, você sabe que vai gostar. Então finalmente você vê que não ganhou um cd original de um jogo inédito, nem nada do que você esperava, mas ganhou meias marrons com o símbolo do time que você não torce...
   Você não consegue conter a cara de desapontamento apesar de tentar forçar aquele sorriso amistoso. A expectativa era grande em torno do presente dela. É..., quem sabe no próximo ano.
   Mas a questão crucial nesse raciocínio está na desproporcionalidade da expectativa posta no presente e o real valor deste. 
   Já ouvi muita besteira sobre o céu. Muita gente falando coisas do tipo: "o céu vai ser muito chato, muito parado, muito monótono. Sei lá se eu ia querer isso. No inferno é que vai ser farra eterna." E as piadas são incontáveis sobre o tema. E de fato a visão que se tem de céu, difundida até mesmo entre os mais "religiosos", é uma visão totalmente equivocada. Vejamos por que.
  De fato Deus prometeu um presente para os que Ele salvar. Ap 21:3 "E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus." E essa promessa gera (ou deveria gerar) uma expectativa que motivasse o coração de todos aqueles que andam em juízo com Deus a superar qualquer adversidade nessa vida. Mas as piadas são levadas a sério, e a visão que se tem do céu é a mesma de quem recebe as meias marrons. É como se o céu pudesse não corresponder às suas expectativas.
   Agora eu queria um pouco mais de trabalho cefálico de sua parte pra entender uma coisa que é tão simples de se raciocinar, mas que talvez você não tenha parado pra fazê-lo até então. Se o criador da alegria lhe dissesse que tem algo que te geraria alegria eterna. Veja bem, algo que fosse uma alegria infindável (nada monótono, nada de decepção, nada de meias marrons). Agora imagine que esse criador conheça bem, e exatamente quais as coisas de que você mais gosta. Conhece até melhor do que você mesmo. Ele sabe te dar algo que quando você receber vai provavelmente pensar "Isso é o que eu sempre quis e nem sabia que existia...". Agora medite nesses textos:

Ap 3:4 "E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas."
Jr 17:9-10  "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?
Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração e provo os rins; e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações"
Pv 10:28 "A esperança dos justos é alegria, mas a expectação dos perversos perecerá."

 A conclusão é dedutiva, mas caso você não tenha reparado, a situação é totalmente diferente da citada no início desse artigo. Primeiro que Deus prometeu algo que vai superar qualquer expectativa sua. Vai ser melhor do que se pode cogitar. Por fim, Deus conhece o coração de todo mundo e ele mesmo garante que será bom. Aquele que criou o sentimento que o seu coração "sente" quando considera algo bom (no sentido de desfrutar desse algo) está garantindo que será bom. Sem delongas, não é preciso exaustivamente dissertar sobre o raciocínio.
I Co 2:9 "Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam."
  Portanto é lorota esses pensamentos incoerentes sobre o céu. Baseado na idéia de que será um lugar que vale a pena por toda a eternidade para todos os tipos de gostos, você Cristão, guie sua vida pensando nas coisas que são do alto (Cl 3:1-2 "Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra"). É uma esperança coerente, e mais impressionante que qualquer outra. É a perfeita (e única, como tal) promessa, insuperável e inigualável. Todas as outras são demasiadamente fúteis e irrelevantes diante da promessa do céu. Você, não cristão, procure conhecer Cristo e desfrutar dessa esperança viva e real, e junte-se aos verdadeiros filhos de Deus.


"Alegria é negócio sério no céu."
C. S. Lewis


quinta-feira, 10 de junho de 2010

Coisas que Deus NÃO pode fazer

   Quando consideramos Deus como o Todo-Poderoso Criador de tudo que existe, em geral, não pensamos nas coisas que Ele não pode fazer. Existem muitas coisas que os homens não podem fazer; contudo, também existem coisas que Deus não pode fazer. A verdade é que Ele não pode fazer todas as coisas. Não que Ele não tenha capacidade para isso, ou que Ele seja, de algum modo, limitado em Seu poder. Isso acontece por causa do que Ele é e de Sua natureza divina. Existem diretrizes que nem mesmo Deus pode anular. Por exemplo, Ele não pode ser Deus e deixar de ser Deus, ao mesmo tempo. Ele não pode criar outro Deus, ou seja, uma criatura que pudesse se tornar igual a Ele. Esse segundo Deus seria derivado e dependente do primeiro e, nesse caso, seria um “Deus” finito. Visto como Ele teve princípio, jamais poderia ser um Deus tão poderoso como o Deus que Lhe deu origem. Um dos primeiros requisitos para ser Deus, é ser infinito e eterno. Nesse caso, um Deus criado não seria qualificado para exercer o ofício de Deus.

Então, o que Deus não pode fazer?

1) - É impossível que Deus minta. Será que Ele poderia tornar 2 + 2 em 5? Deus não pode mentir, pois Ele é consistente com a verdade, a qual tem os seus absolutos. Hebreus 6:18: “Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta...” Ele não pode quebrar uma promessa incondicional, a qual Ele prometeu cumprir. Ele é a verdade e nEle "não há mudança nem sombra de variação” (Tiago 1:17-b). Ele não pode retroceder em Sua Palavra.
   Quando Ele falou para Abraão tomar o seu filho único e colocá-lo no altar do sacrifício, Abraão sabia que, se Deus tivesse permitido que ele matasse Isaque, Ele iria ressuscitá-lo da morte. Isso porque Ele havia prometido a Abraão, através de Isaque, que as promessas da Aliança iriam ser cumpridas. [N. T. - Se os judeus acreditassem realmente na Palavra de Deus, não ficariam tão submissos e temerosos diante dos palestinos, os quais são apoiados pelo mundo incrédulo.]
   Deus jamais pode enviar outro dilúvio sobre a Terra, como aconteceu no tempo de Noé. Não por falta de capacidade de fazê-lo. Ele não pode fazer isso por ter prometido que jamais iria repeti-lo (o Arco-íris aí está para nos lembrar esta promessa). A natureza de Deus se inclina absolutamente à verdade, o que significa que Ele sempre cumpre Suas promessas.

2) - Deus pode fazer uma rocha tão grande que não possa erguê-la? Se Ele não pode erguê-la, então não é Todo-Poderoso. Neste caso, a rocha se tornaria mais poderosa do que Deus e qualquer coisa mais poderosa do que Ele seria Deus também. Ele tem qualidades infinitas, não finitas, e somente pode fazer coisas que Lhe sejam possíveis. Ele não pode fazer círculos quadrados, nem triângulos de dois lados. Isso seria pedir que Ele contrariasse a lógica, o que seria contra a Sua exata natureza.
   Por isso é um erro categórico afirmar que Ele pode fazer coisas que Ele não pode [N.T. - Este é um erro comum nas doutrinas do Movimento Palavra da Fé]. Seria como indagar a um bacharel qual é o nome de sua esposa (que pergunta estranha, hem?) Ou indagar: qual é o sabor da cor amarela? Cor não tem sabor. Não é possível Deus criar uma rocha tão grande que não possa levantar, pois, se Ele a criasse, também poderia erguê-la. Se Ele pode criá-la também pode destruí-la. Isso não mostra que Deus seja limitado em Seu poder e que Ele não tenha poder infinito. Significa apenas que tudo que Ele criou está sob Sua jurisdição, sob o Seu controle, e que jamais poderia a Ele se igualar... 
   
3). - Deus pode deixar de ser Deus e de existir? Sua natureza é infinita, ou seja, jamais terá fim. Seu imutável caráter moral é um moral absoluto. Este inclui santidade, justiça, amor, misericórdia e verdade. Deus é quem é, eternamente, o único Ser permanente do universo. Somente as coisas criadas, sujeitas ao tempo e ao espaço, feitas de substâncias não eternas, podem mudar. Deus não poderia mudar, mesmo que o desejasse (e isso Ele não quer). Porque Ele é o mais elevado e conclusivo estado da perfeição. As palavras não conseguem descrever o ponto e o estado em que Deus se encontra.

4). - Deus não é livre para agir ao contrário de Sua natureza, a qual é permanente. Isto significa que Ele não é Todo-Poderoso? Não! Significa que, sendo Ele um Ser perfeito e imutável, Seus comandos e ações estão enraizados no bem final, o qual flui de Sua natureza. Seu caráter moral não muda. Sua natureza é eterna. Ele não pode dizer: “amanhã vou agir, por um momento, como se fosse, o Diabo, e pecar como o homem peca”. O que Ele tem sido, há de ser, para sempre - o EU SOU. Ele é totalmente Auto-Suficiente.

5). - Deus não pode pecar. A santidade é parte de Sua natureza e Ele não pode agir de outro modo.

6). - Deus não pode aprender coisas novas [N.T. - Mesmo porque nada existe de novo no Céu e na Terra, por Ele criados]. Antes de criar todas as coisas, Ele já conhecia tudo a respeito delas. Não existe progressão no Seu conhecimento, como existe para o homem. Deus não possui limitações sobre qualquer coisa por Ele criada.

7). - Deus não pode atender oração alguma, conforme a vontade de quem ora. Ele atende somente aquelas orações que estão de acordo com a Sua soberana vontade a ser feita na Terra. Ele não pode responder orações que sejam contrárias aos Seus propósitos. (APRENDAM ESSA VERDADE, PROFETAS DA PROSPERIDADE).

8). - Deus sempre tem razão. Quando Ele faz qualquer coisa não é simplesmente por tê-la feito. Ela é certa porque é certa. Não se torna uma obra boa porque Deus a escolheu, mas por ser boa. Deus a escolheu por ser boa. Deus a quer porque ela é boa e não simplesmente porque Ele deseje ou resolva que ela seja boa. Ele não é arbitrário nem caprichoso. Ele conhece o bem maior porque nEle habita o conhecimento. (ESSE É UM COMENTÁRIO MORAL. NÃO CONFUNDA. DEUS NÃO ESCOLHE NINGUÉM POR ESSA PESSOA SER UMA BOA PESSOA. TODOS SÃO MAUS, MAS PODEM FAZER BOAS OBRAS. AS OBRAS SÃO BOAS, POIS DEUS ASSIM AS CRIOU. SE ASSIM NÃO FOSSE, DEUS PODERIA AGIR DE FORMA IMORAL E TRANSFORMAR AQUELE ATO EM MORAL. É UM ABSURDO INCONCEBÍVEL).
   Toda a natureza comprova que isto é verdade. A ordem é o Seu maior desígnio e objetivo, enquanto o caos não é! Promover a vida é o bem maior, tirar a vida, não! (as exceções são raras). Isso porque tudo flui de Sua natureza moral. Então, conquanto Deus seja Todo-Poderoso, Ele não pode agir nem pensar contrariamente à Sua eterna e ilimitada natureza, a qual é o conclusivo bem moral.
  

   Não é bom saber que existe um Ser a Quem todo o universo está sujeito? Um Ser perfeito em Seus julgamentos e escolhas, um Ser que cumpre Suas promessas e jamais comete erros? Isto é um conforto para aqueles que O conhecem e respeitam... E exatamente o contrário para os que O negam ou O ignoram!


Artigo do “letusreason ministries” - “Things God Cannot Do”
[Traduzido e comentado por Mary Schultze]
[MEUS COMENTÁRIOS ESTÃO EM CAPS LOCK E EM VERMELHO]

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Regeneração

   Hoje me dói muito no coração ver pessoas que se dizem filhos de Deus e claramente não são. São fariseus, pessoas que professam uma fé verdadeira, genuína, segundo a sã doutrina, mas que não tem uma vida regenerada pela palavra. Mas o que é regeneração? Como saber se alguém é ou não convertido? É correto fazer essa distinção entre quem é e quem não é convertido? São perguntas como esta que fazem valer a pena ler este post e, pela graça do Senhor Jesus, encontrar o caminho da verdade.

- O que é regeneração?

   A regeneração é um processo miraculoso onde Deus, pela atuação do seu Espírito Santo faz de um morto espiritual em um vivo em Cristo (1 Pe 1:23 Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre). Nas palavras de Paul Washer, que com uma maravilhosa coerência e felicidade fez se notar a seguinte verdade. A regeneração é um ato divino tão ou mais poderoso que o ato da criação. Na criação, Deus fez as coisas existirem do nada. Mas na conversão de uma criatura depravada, Deus cria um novo ser a partir de um ser desordenado, desorganizado, manchado pelo caos do seu pecado. Percebe que aqui Deus faz uma obra excepcional, maravilhosa, para salvar um ser corrompido de um mundo corrompido que tende a sua destruição final.
   João 3 nomina a regeneração como um “novo nascimento”. Na regeneração o homem que estava morto nos seus delitos e pecados é, pelo poder de Deus, feito vivo novamente. (Ef 2:1 Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados). Jesus aponta o novo nascimento como necessário para a vida eterna (Jo 3:3 Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus). Não pode entrar no reino de Deus quem não nascer de novo. Fica, a meu ver, evidente que ninguém nasce convertido, caso contrário não seria novo nascimento, mas um nascimento duplo (?). Não seja ridículo.

- Como saber se alguém é ou não convertido?

   Antes é importante considerar um lamentável fato. Nem todos que se dizem convertidos realmente são (Mt 7:21-23 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.). É triste a situação dos CONVENCIDOS. Por nascerem em um lar cristão, por irem sempre aos cultos, e até mesmo por saberem quem é Jesus esses indivíduos se convencem piamente que são convertidos. Mas existem neles algumas falhas facilmente notadas.
   O convencido, muitas vezes, acha que sempre foi convertido ( se assemelha a situação dos fariseus que se intitulavam como verdadeiros servos de Deus. Jo 9:41 Respondeu-lhes Jesus: Se fosseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Nós vemos, permanece o vosso pecado). Acredita, por desconhecer a necessidade de nascer de novo, que sempre, desde que se entende por gente, foi regenerado, criando assim uma deficiência no próprio conceito do que seja a regeneração. Tal indivíduo precisa, inclusive, de uma regeneração no bom senso (!).
   O individuo falsamente regenerado muitas vezes tem também o hábito de se orgulhar de seus feitos pecaminosos. Ele não sente a dor, a tristeza que o pecado gera no coração de quem tem o Espírito Santo de Deus.
   Ele pode também ter o costume de mudar seu jeito, de camuflar-se segundo o meio que vive. Se estiver na igreja e perto dos irmãos regenerados, ele é um “santo”. Longe deles, e no meio secular, ele, não raramente, até se sente melhor, mais “livre” para expor sua personalidade descompromissada com Deus.
   Mas ainda não entramos no mérito da questão. Como então saber se o indivíduo é convertido ou convencido?
   Não é preciso muito para saber que uma pessoa declaradamente mundana não tem compromisso com o Senhor. Mas para as pessoas que se declaram crentes em Deus o primeiro e indispensável critério é conhecer a fé que essa pessoa professa. Essa pessoa deve professar uma fé coerente com a sã doutrina nos seus princípios básicos. Existem divergências doutrinárias, é claro, mas alguns pontos não podem ser divergentes, pois comprometem totalmente a idéia do Deus que se serve. São inegociáveis, por exemplo, a doutrina da Trindade, a plena divindade e humanidade de Cristo, a personalidade do Espírito, os atributos clássicos de Deus – imutabilidade, onipotência, onipresença e onisciência, etc. – a queda e o estado de perdição e pecado no qual se encontra toda a raça humana, a morte sacrificial e expiatória de Cristo e a salvação pela graça mediante a fé no Salvador, a sua ressurreição literal e física de entre os mortos, sua segunda vinda, o céu e o inferno como realidades pós-morte e a autoridade e infalibilidade das escrituras. (Augustus Nicodemus Lopez; O Tempora, O Mores; artigo “Eu também mudei” ).
   Com uma profissão de fé coerente e fiel à Palavra, resta saber se ela reconhece que se converteu algum dia, mesmo que não consiga precisamente se lembrar da data. É importante que a pessoa reconheça que foi salva por Cristo, mesmo que tenha sido quando ela ainda era criança, suficientemente madura para “aceitar” Jesus, reconhecendo-o como Senhor e Salvador de sua vida (não estou falando necessariamente do “apelo” para aceitar Jesus).

   Por fim, resta saber se ela leva uma vida coerente com a sua profissão de fé. Se a pessoa odeia o pecado, se se arrepende constantemente dos seus pecados e luta para vencê-los diariamente, constantemente suplicando o perdão de Deus. O convertido também peca, mas ele odeia o pecado e luta contra ele por odiá-lo e por amor a Deus (que é o mais importante mandamento). Quanto mais grave é seu pecado, mais doloroso esse pecado é para o crente genuinamente convertido. Sua depravação o faz lamentar-se e humildemente reconhecer a soberana graça do Senhor em salva-lo.
   Portanto a conversão é acompanhada de arrependimento de uma vida de pecados e inimizade (ainda que não expressa) com Deus. Importante ressaltar aqui a preciosa lição de M. Lutero sobre o arrependimento. Ele nos ensina que o arrependimento é fruto de três momentos: o de conhecimento (cognitivo), o sentimental e o de vontade (ou volitivo). O processo de conhecimento é fundamental pois por conhecermos a vontade do Senhor que sabemos quando cometemos o pecado. No momento do conhecimento nós estamos aptos a discernir qual é nosso pecado. Reconhecemos que erramos, pois temos o conhecimento do pecado. Na faze chamada de sentimental é onde nós lamentamos o pecado. Esse momento não é mecânico. Nós não decidimos sentir a tristeza do pecado como decidimos conhecer o que é pecado através do estudo das sagradas letras. Lamentar o pecado é um momento único do convertido. Acredito que a cauterização ataca esse momento, pois o indivíduo não consegue sentir o quão nojento é seu pecado e não consegue se arrepender plenamente. O terceiro momento do arrependimento é o momento volitivo. Aqui é onde o indivíduo que conhece o pecado, lamenta por tê-lo cometido, decide também não cometer nunca mais o pecado. Isso não significa que ele não se arrependeu se cometer o pecado posteriormente. Eu posso, com sinceridade, decidir conquistar uma menina, ou decidir fazer o gol. Não necessariamente eu tenho que conseguir para que a minha vontade inicial tenha se consumado. A decisão tem que ser sincera, porém ela não necessariamente exclui o pecado da sua vida. Quando alguém se converte, esse alguém tem a decisão no seu coração de nunca mais pecar, mas sabemos que ele, infelizmente, pecará.
   Concluímos então que o indivíduo convertido tem uma profissão de fé em conformidade com a sã doutrina, reconhece sua conversão (com méritos a Cristo) e vive uma vida de acordo com a fé que professa (Fp 1:27 Somente portai-vos, dum modo digno do evangelho de Cristo...), se arrependendo do pecado e lutando contra ele e produzindo frutos dignos de arrependimento.
   Um ponto importante na distinção de quem é convertido e quem não é convertido é o fato do convertido apresentar mudança. A mudança que ele apresenta nem sempre é instantânea, mas ele muda para melhor, pois o Espírito Santo, pelo conhecimento da Palavra que o indivíduo tem, transforma a sua vida. Se alguém se diz convertido mas nunca melhora, nunca conserta seus defeitos, essa pessoa precisa rever se é ou não convertida. Importante ressaltar a lição de que depois do novo nascimento o indivíduo não se torna um ser perfeito e regenerado em todas as áreas de sua nova vida. Ele agora é vivo, mais viverá um processo constante de restauração, como nos ensina Fp 1:6 tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus.
  
- É correto fazer essa distinção entre quem é e quem não é convertido?
   Na verdade essa pergunta pode se confundir com a seguinte: “É correto julgar?”. Para dar seqüência a esse tópico recomendo que leia o artigo “Julgar ou Não Julgar” (clique no link e leia antes de continuar) para não pensar que meus posicionamentos são arrogantes, imprecisos e até dissonantes da verdade. Portanto o que farei nesse tópico não é responder, necessariamente, essa pergunta, mas, convicto de que, respaldado nas escrituras, a resposta é um sonoro SIM, fazer algumas ressalvas importantes quanto aos critérios para distinguir.
   Primeiramente é importante deixar claro que dizer que uma pessoa não é convertida hoje não implica em sentenciar tal pessoa para o inferno. É um reconhecimento que tem incentivo na Palavra (1 Jo 4:1 Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.). Então não confunda distinguir uma pessoa como não convertida com dizer se ela vai ou não para o céu, mesmo porque ela pode se arrepender e viver uma vida em juízo com Deus.
   Outra dificuldade em fazer a distinção entre quem é e quem não é convertido reside no fato de que nem sempre temos convivência com todos os que se dizem regenerados. Um julgamento aqui seria injusto, sem critérios. Porém, por uma profissão de fé incoerente podemos afirmar categoricamente que uma pessoa não é convertida, mesmo que ela seja a mais piedosa pessoa que se conheça. Mas uma vez que a pessoa professa uma fé verdadeira, não podemos conhecer o interior da pessoa se esse não se manifestar através de suas atitudes e palavras (o que geralmente é impossível sem convivência).
   Então porque fazer a distinção?
   Excelente questão. Seria apenas para exaltar os que são convertidos? Para humilhar os que não são? Para excluí-los dos trabalhos da igreja? De maneira alguma!
   A importância de se distinguir quem é convertido ou não é óbvia em longo prazo. O não convertido tende a se sujar na lama do pecado e não querer se limpar. Ele, quando não professa uma fé coerente com a bíblia sagrada, é um câncer no corpo de Cristo, pois dissemina doutrinas destrutivas, levando muitos a se desviarem do caminho da verdade (Rm 1:32 os quais, conhecendo bem o decreto de Deus, que declara dignos de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que as praticam). Além disso, esse indivíduo mesmo permanece nas trevas sem reconhecer que está e ele mesmo se destrói. Distingui-lo como não convertido é tão importante para a igreja como para ele mesmo (2 Pe 2:1 Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando até o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição). É uma maneira amorosa de incentivá-lo a se converter. A distinção deve vir acompanhada de um desejo de evangelização ao não convertido.
   O não convertido também tem a revoltante mania de dar um péssimo testemunho da verdade regeneradora. Fato que, por levar a bandeira de Cristo, prejudica muito a vida dos novos na fé e da visão dos ímpios com relação à igreja (Rm 2:24 Assim pois, por vossa causa, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios, como está escrito). Eles trazem descrédito para a igreja local e desmotivam muitos pagãos a reconhecer a glória do Senhor sobre os filhos de Deus. A solução então é distinguir os não convertidos e, novamente motivá-los a se converterem genuinamente.
   Por fim talvez o mais importante motivo para a distinção é que é um mandamento do Senhor. (1 Jo 4:1 Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo). Não se deve ter um não convertido participando dos trabalhos da igreja, com funções delimitadas pelo Senhor, como presbíteros, diáconos, enfim, estes não convertidos não fazem parte do corpo de Cristo. Isso não significa excluí-los da igreja (instituição), mas apenas dos “cargos” que a Palavra apresenta.
  
- Conclusão

   Espero que com esse estudo você aprenda o que é a regeneração, como a importância de distinguir os regenerados e os não, bem como a maneira correta de fazer e de não fazer essa diferenciação. Se você não é um convertido e, com esse artigo conseguiu perceber isso, não se conforme com sua presente situação. Não é uma vergonha reconhecer que ainda não é regenerado. Vergonhoso é permanecer na situação pecaminosa sem procurar o novo nascimento. Procure alguém para lhe explicar totalmente o que é o plano de salvação e ore sinceramente para Deus ter misericórdia e habitar em seu coração. É uma honra ser novo na fé. É poder começar uma nova história com alguém que o ajudará. Com certeza todos que estão ao seu redor ficarão contentes e você vai poder experimentar o poder de Deus te concertando e a paz que excede todo entendimento será presente em sua vida para sempre. Deus te abençoe! Graça e Paz.

Sola Fide

Sola Gratia