terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Jesus te ama?


   Muitos Cristãos, por pura ignorância, tem usado o famoso jargão pensando fazer algo que agrade a Deus e cheio de significado. Pensam que ao dizer “Jesus te ama” estão cumprindo a grande comissão de “ir por todo mundo e pregar o evangelho”. Alguns, não tão incoerentes, ainda sustentam um evangelismo realmente descente após isso. Outros acham que as tais palavras mágicas são suficiente para que o Espírito Santo faça o resto, e o evangelismo estará “completo”.   

   Venho com o presente artigo demonstrar de forma rápida e um tanto que agressiva que essa prática é anti bíblica. É uma mentira, uma negligência e uma ignorância profunda quanto ao evangelismo que as escrituras nos aconselham.

    Primeiro ponto a se refletir é sobre o fato de que Jesus não ama a todos. Pelo menos não com amor salvador. Caso contrário ele não poderia ser onipotente, uma vez que toda a obra salvadora é de suas mãos, e que o homem não pode se salvar. Portanto, como poderia esse Deus amoroso, munido de todos os meios para conquistar e salvar uma pessoa, deixar alguém que ama ir para o inferno? É no mínimo incoerente. De fato  Deus ama toda a criação. Mas não ama, de maneira especial, quem não é filho. Alguns podem até alegar o texto de Atos 10:34 ou Cl 3:11 mostrando que Deus ama a todos por não fazer acepção de pessoas e ser um em todos. Mas quanto à acepção, o texto mostra que Deus aceita tanto o chamado, a priori, de seu povo (a saber, o povo judeu), quanto os ímpios que se convertem. Isso fica claro pois Pedro, um judeu, confiante da salvação apenas ao povo israelita, como outros, fora ensinado por Deus a pregar o evangelho também aos que outrora não eram deliberadamente alvos do evangelho (pelo menos na cabeça do judeu). O segundo texto mencionado (o de Colossenses) também tem uma noção parecida. A questão tratada ali é sobre a diferenciação do velho homem (que sendo judeu, ou grego, bárbaro, cita, enfim, é diferente) com a semelhança dos novos homens, no sentido de agora pertencerem ao mesmo corpo. Cristo é “um” em todos os seus, e todos os seus não são todos os não seus (isso fere a lei da não-contradição e é um absurdo!).  Agora se você ainda duvida que ele tem os seus exclusivos, peço que examine João 17:6 e 17:9. Portanto, abordar alguém com os dizeres “Jesus te ama” é fruto de uma ignorância quanto às verdades bíblicas. E não existe sequer uma abordagem parecida com essa no novo testamento.

   O segundo ponto que se deve considerar, é que ainda que isso fosse verdade, e Jesus amasse a todos, isso não tem nada a ver com evangelismo. Isso não gabarita as pessoas a compreenderem o evangelho e se converterem. Talvez ela emocionalmente se interesse por Deus, mas isso é apenas uma carência demonstrada pela pessoa que poderia ser alvo de qualquer tipo de abordagem não cristã, como “Buda te ama”. Primeiramente porque aquela pessoa não tem nem noção de quem de fato é Jesus. Segundo porque ela não sabe as implicações de Jesus amar alguém. Terceiro porque isso não explica o plano de salvação, que é um conhecimento essencial para a salvação (e afirmo categoricamente que ninguém é salvo sem conhecer o plano de salvação).

   Portanto, se você, assim como eu, já fez dessas palavras uma expressão de evangelismo, arrependa-se e não o faça mais. Pois isso faz de Deus ou um mentiroso (por não salvar quem diz amar e portanto não amar de fato), ou um ser não onipotente (por não conseguir salvar a todos quanto ama).   

2 comentários:

  1. sobre o primeiro ponto:
    O especial amor eletivo de Deus é grande conforto e força para o coração. Muitas pessoas não têm experiência pessoal de conhecer que foram eternamente amadas por Deus e por Ele serão cuidadas com amor onipotente e supridor de todas [as necessidades] para todo o sempre. Muitas pessoas pensam no amor de Deus apenas em termos de algo que oferece e espera, mas não nos conduz a Ele mesmo e atua com entusiasmo infinito para nos manter e nos glorificar para sempre. Ainda esta é a experiência disponível para todo aquele que vier e beber de graça da água da vida (Ap 22:17).
    Enquanto é verdade que Deus ama a todas as pessoas (não apenas Seus eleitos), Ele não ama a todos da mesma maneira. Ele ama Seus eleitos com um amor especial, vigoroso, intenso, afetivo e eletivo que não pode falhar. Você já se habituou a crer que Deus ama aqueles que são condenados eternamente ao inferno da mesma maneira que Ele te ama, uma de suas ovelhas? Se sim, apague essa idéia da sua mente; se não, ela encobrirá sua experiência do amor de seu Pai por mais tempo. Regozije-se na grandeza do Seu especial amor por você. Para Deus, amar Seus santos da mesma maneira que Ele ama aqueles que Ele condenou eternamente ao inferno seria como um esposo dizendo: Claro, eu amo minha esposa. Mas eu a amo da mesma maneira que amo todas as outras mulheres.

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  2. Luciano, disserte sobre o amor 'não-especial'. Quais suas características? Como ele se relaciona com a condenação?

    Como vc lida com esses textos:
    "...não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se”. (II Pedro 3:8-9)"
    e
    "Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor Deus, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas sim em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. (Ezequiel 33.11).

    Se Deus quer que o pecador venha a se arrepender, e monergisticamente falando, esse arrependimento vêm de Deus, pq é que ele não se arrepende?

    Tenho mais umas armadilhas arminianas pra vc tianim... até lah...

    (quem sabe estas questões gerem um artigo...).

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