segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Existe diferença entre pecadinho e pecadão?


   Hoje em dia é difundida uma resposta generalizada para essa pergunta: NÃO, não existe. Mas o presente post visa fazer uma análise dessa asseveração e suas implicações.
   Primeiramente, precisamos de um texto para basear nossa meditação. Sugiro Ezequiel 18:4
Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá.
   Olha ae. Deus não faz distinção entre pecados. Simplismente a alma que pecar, essa morrerá. Não tão rápido assim!
   Voltaremos nesse texto posteriormente. Por agora, para os que defendem que não existe diferença entre pecados, eu lhes apresento alguns textos:

1 Samuel 2:25a “Se o homem pecar contra outro, Deus o julgará; mas, se um homem pecar contra Deus, quem intercederá por ele?”
Provérbios 6:16-19 “Há seis coisas que Jeová aborrece; Sim, há sete que a sua alma abomina: Olhos altivos, língua mentirosa, E mãos que derramam sangue inocente; Coração que maquina projetos iníquos, Pés que se apressam a correr para o mal; Testemunha falsa que profere mentiras, E o que semeia discórdia entre seus irmãos.”
1 João 5:16-17 “Se alguém vir seu irmão cometer um pecado que não é para morte, pedirá, e Deus lhe dará a vida para aqueles que não pecam para morte. Há pecado que é para morte, por este não digo que alguém rogue.Toda a injustiça é pecado, e há pecado que não é para morte.”

   Talvez você, leitor, tenha dúvidas sobre alguma coisa levantada por estes assuntos, mas não vou, com este post, entrar no mérito. Só quero que perceba que os textos mostram claramente uma distinção entre pecados. Existem mais textos, mas considero estes suficientes. Então, para os que apressadamente disseram não à pergunta feita no título dessa postagem, atentem-se para uma suposta “contradição”. Se não existe, porque Deus faz a distinção? E se ele faz distinção, porque ele generaliza como se não houvesse tal em Ezequiel?
   Para solucionar tal questão é preciso analisarmos lógicamente a questão do pecado. Existe diferença entre dar um soco em uma pessoa e matar essa mesma? Claro que sim. E creio que todo mundo sabe que assassinar é pecado tanto como agredir, mas não na mesma intensidade. Huuum... Mas então, diria alguém, a diferença está na consequência. Agora faço uma pausa para apresentar duas possíveis interpretações do conceito de pecado.

1 Esse primeiro conceito separa a consequência do pecado. O pecado é igual, mas a consequência é que é diferente. Assim o pecado é todo ato/sentimento contrário à vontade de Deus. Não se discute a consequência aqui, mas sim se é pecado ou não.

2 Para essa interpretação o pecado é um ato/sentimento contrário à vontade de Deus, com uma consequência arraigada. Veja que nesse conceito não se pode desprender o pecado com sua consequência.

Qual destas duas interpretações é a correta?

   Bem, para ambas interpretações é comum pensar que o pecado tem consequências. Mas está óbvio a diferença entre elas. Uma parece não se importar se a consequência é grave ou se é branda. Para a outra isso será de extrema importância.
   Talvez você não tenha notado ainda, mas perceba que a interpretação 1 endossa Ezequiel 18:4, pois não importa a consequência, sendo que todo aquele que pecar, morrerá. Não importa qual pecado, contando que seja pecado. Já a interpretação 2 endossa os textos que fazem distinção entre pecados. Porque essa diferença? Simples. A primeira interpretação não exclui a segunda. Ela apenas trata de uma perspectiva diferente.
   Veja: Todo pecado é suficiente para condenar a pessoa a um eterno sofrimento, pois é um atentado contra um ser santo. Em outras palavras, em consequências eternas e salvação, todos os pecados são iguais. Eles tem a capacidade de condenar eternamente o pecador.
   Por outro lado, é certo que a gravidade do pecado se faz visível na consequência, e não se pode excluir tal, pois existe notória diferença entre eles. A própria lei que Deus deu aos homens no êxodo, punia diferentemente os diversos tipos de pecado. A própria lei, em questão penal, trata os crimes (pecados) de forma diferente, imputando penas mais severas aos delitos mais ofensivos. A consequência incorpora o pecado. Não há no que se falar em matar, sem que exista o morto. Não há no que se falar em roubar, sem o objeto para apropriar-se. Separar a consequência do ato é desfigurar o ato. E o raciocínio vale até mesmo para a “tentativa”. Se a consequência não importa, não existe o pecado de matar, mas simplismente o pecado. Mas então eu vou intentar fazer o que, se o próprio conceito específico de pecado (no caso, matar) está desfigurado? Vou tentar alcancar qual consequência? Portanto é importantíssima a consequência para definição do pecado.
   E porque definir? Primeiro porque as consequências do pecado podem ou não serem punidas ainda nessa terra. Em questões de salvação, o sangue de Jesus é suficiente para nos purificar de todo pecado. Mas não é difícil imaginar que se um pastor mata um irmão na igreja, seu ministério fique comprometido, diferente  dele mentir para sua esposa de que está com dor de cabeça e não quer ir lavar a louça. Os dois pecados são passíveis de condenação eterna? Sim. Os dois pecados são perdoados, mediante arrependimento, por intermédio de Cristo? Sim. A consequência temporal (antônimo de consequência eterna) é diferente? Sim.
Então, para cada tipo de pecado, além de uma punição diferente, ressalta-se o tratamento desse pecado. Tratamento no sentido de ajuda prestada ao pecador. Se alguém mente muito, é preciso que ela perceba que a verdade é muito mais saudável. É importante que ela entenda que, seja por qual motivo for, a mentira é um caminho destrutível, que lhe tira o crédito. Se ele é um assassino, é preciso que ele entenda o valor da vida, do outro, e que ele fique preso até que isso aconteça, pois seu pecado tem consequências na sociedade. E é nessas consequências na sociedade que reside um dos principais motivos de se fazer distinção de pecados. Quanto mais grave for o pecado, maior interferência terá na sociedade, prejudicando um número maior de pessoas, ou prejudicanto com mais intensidade as mesmas.
   Terceiro e último ponto. Além da importancia de determinar a devida punição, de saber como tratar o pecador e a consequencia na sociedade, ainda há espaço para mais uma importancia na distinção do pecado: o pecado é diferente para o próprio pecador. O próprio pecador sente na pele a diferença entre adulterar na mente e adulterar de fato. Os dois pecados, igualados por Jesus no sermão do monte, são passíveis de punição (condenação) por Deus? Sim. Inclusive era isso que Jesus queria mostrar. Mas a consequência é evidentemente diferente para o próprio adultero. Tanto fatídicas, como psicológicas. Por certo que se for adultério de fato, a mulher do sujeito vai sentir-se muito mais esculachada do que se for na mente (que por sua vez é muito mais difícil de se descobrir). Agora psicológicamente, a distinção é evidente também, e talvez tenha até ligação com a consequência fatídica. Ilustro aqui um jogo de futebol. Quem joga bola sabe a diferença entre errar um passe que nada prejudica o time e errar um gol, o gol da vitória. Como aquela culpa martela na cabeça!
   Portanto quero concluir que sim, existe diferença entre pecadinho e pecadão. Todo pecado é igualmente suficiente para te condenar. Todo pecado é igualmente perdoado por meio de Jesus Cristo. Mas haveria de se falar em “todo” pecado, se todos fossem igual. Bastaria falar que o pecado é condenável. Isso só mostra que a diferença no pecado está intrínseca em nós. A diferença que existe está na gravidade, consequência. Consequência está que não pode separar-se do ato/sentimento.
   Uma ultima observação que faço é que, apesar de existir pecadinho e pecadão, o pecadinho deve ser também combatido, pois sutilmente ele te prejudica muito. E desprezá-lo te leva a reiteradamente cometê-lo, até que a consequência seja tão caótica quando a do pecadão.

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