Já reclamaram que falo, muitas vezes, de uma maneira agressiva. Que chamo atenção de forma muito impetuosa. Mas eu tenho uma reflexão para vocês.
Primeiro coisa que gostaria de falar é que estou despontado com o quanto a "geração não me toque" está presente no coração desse povo. São todos tão "intocáveis" que denunciar qualquer erro deles é uma afronta. Rejeitariam todas as acusações de Jesus, que não foram somente para fariseus hipócritas. Foram duras as palavras com discípulos, apóstolos, gente amada. E nenhum deles ficou emburradinho, reclamando assim "olha o jeito que ele falou comigo!". Por favor, pessoal. Vocês ouvem bronca de patrão, de gente que não quer nada mais do que sua produtividade. Quanto mais ouvir bronca de quem quer o seu melhor. Vocês erram? Se sim, deem graças a Deus por existir alguém que aponte seus erros.
Segunda ponto que quero levantar é, o meu ver, meu melhor argumento. Cara, se você soubesse o quão agressivo se comporta a consequência dos seus erros, entenderia que na verdade falta mais agressividade da minha parte. Se minha agressividade no falar fosse proporcional à cagada que você faz, você iria chorar como uma criança assustada por um estranho. Aliás, se percebesse a desgraça de suas escolhas, ficaria amedrontado, curtindo cada momento antes de um futuro tenebroso. Portanto, seu "mimimi" é injustificável, pois é pra mim quase impossível não apresentar certa agressividade perante a gravidade de seus pecados. Se eu não o fizesse, aí sim eu poderia ser acusado de alguma coisa: insensibilidade.
Minha conclusão é simples, como uma extração lógica do que foi dito acima. Pare de ser uma criança mimada, que ninguém pode chamar atenção. Seja uma pessoa sábia que cresce com repreensão, ou, seja ainda um estúpido intocável que caminha para a própria desgraça! Mas saiba de uma coisa... EU vou lutar para não deixar você levar muitos pro mesmo buraco. Afinal, sou devedor de todos, e a todos devo o amor.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Julgando se podemos julgar.
Essa é uma postagem bem simples, e só colabora pra desmistificar uma das piores mentiras que colocaram dentro da igreja , e que até bons crentes propagam [de boa-fé]. Falo sobre julgamento. O raciocínio é bem simples.
Posso definir, toscamente (mas não contraditoriamente)
julgar como sendo o ato de dizer se é certo ou errado? Penso que sim.
Vamos estabelecer a máxima do anti julgamento da seguinte
forma:
Não podemos julgar.
Pois bem, mas porque não podemos julgar? Porque é errado,
não é mesmo? A resposta não pode fugir disso,
já que se julgar é certo, não vejo porque não o fazer.
Então, por instantes, vamos levar em consideração que: Não se pode julgar, porque
julgar é errado. Julgar é dizer o que é certo ou errado. Logo, ao dizer que
julgar é errado estou julgando [se é certo ou errado]. Mas não posso fazer isso, porque julgar é errado...
Portanto, não se procede, logicamente, esse engano. Podemos
e devemos julgar. Só não devemos fazer isso de qualquer forma. Para maiores
informações sobre como julgar, leia a postagem sobre o assunto clicando aqui.
Se ainda não ficou claro, vou tentar fazer um exercício lógico, onde me esforçarei, quase que inutilmente, para não ser redundante. Atente-se para o raciocínio:
Julgar é dizer o que é certo ou errado.
Não posso julgar, porque julgar é errado.
ora, dizer "não posso julgar" não é julgar (dizer o que é certo ou errado)?
Então, estou fazendo algo que digo que não posso fazer.
Digo que não se pode julgar, mas julgo se POSSO ou NÃO POSSO.
Acho que não consigo ser mais simples e claro que isso.
Julgue se estou certo e em pleno acordo com a lógica e As Escrituras.
Amém!
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Considerações iniciais sobre relacionamentos
Durante minha vida com Deus eu encontrei muita gente falando
sobre namoro. Eu mudei minha ideia muitas vezes. Algumas coisas ainda não tenho
plenamente respondido em minha mente. Entretanto, outras coisas estão
saudavelmente esclarecidas a respeito desse assunto. Então, pela tag
relacionamentos, quero ajudar alguns sobre o que aprendi e venho aprendendo.
Esqueça...
Comece a falar sobre namoro com amigos de igreja, de
faculdade, parentes, irmãos e perceba uma coisa: quase todo mundo, se não todo
mundo, sabe falar a respeito disso. Algumas pessoas falam com tanta
propriedade, que parecem ter feito faculdade de namoro.
Acontece que até mesmo os bons crentes que falam a respeito
de namoro acabam cometendo um erro comum, que os não crentes cometem: O fato é que
eles aprenderam quase tudo que sabem sobre o assunto de fontes não tão boas,
como filmes, séries, novelas e ouvindo ou participando de conversas de gente
que aprendeu com essas fontes já citadas. E quer saber qual o resultado disso?
É que muitos conceitos errados tem levado muitos a sofrer. Alguns matam, outros
se matam. Enfim, não é novidade falar de crimes cometidos em nome do “amor”.
Mas só trago à baila para salientar a importância de se conhecer certo o que é
o namoro.
Mas para que o nosso objetivo seja concretizado, faça um
favor a si mesmo... Esqueça quase tudo que aprendeu. Tente aprender como se
fosse aprender pela primeira vez sobre o que é o namoro. No fim das contas,
como ser racional que é, pondere tudo. Julgue se o que falo tem fundamento e
verifique se procede. Mas antes, saiba que você provavelmente aprendeu quase
tudo de fontes não tão boas, moralmente falando. Talvez alguma coisa você já
até saiba certo, mas isso não faz o resto ser endossado, validado pelo pouco
acerto que já tem.
Nosso raciocínio aqui será pautado pela moral, pela razão e
pelas Sagradas Escrituras, fonte perfeita, que comporta as duas primeiras
fontes já citadas.
Apesar de ser um post introdutório, já deixo o primeiro
conselho para que você medite a respeito.
Particulares vs Geral
Temos, em muitas áreas a mania de tomar particularidades de
nossa vida como se fossem regras universais em acontecimentos relacionais.
Assim, se você fez e deu certo, não significa que todos devem fazer para dar
certo. É aquele famoso caso da fulaninha que arrumou homem que não presta e aí
nivelou por baixo, dizendo que todos os homens não prestam. Pode ser que alguns
casos particulares de seu relacionamento (ou tentativa de ter um) sejam mesmo
gerais, universais. Mas isso demanda discussão para saber. Basta, por hora
saber que as situações que acontecem com você podem ou não serem as mesmas que
acontecem com outras pessoas, até mesmo nas mesmas condições. Se você já tiver
isso em mente, vai poder ser mais propenso a entender outros relacionamentos, e
talvez até se ajudar ao receber conselho de outras pessoas que se relacionam,
evitando talvez um desastre no seu próprio relacionamento.
Dito tal, temos que não existem regras universais que
definem qual namoro vai dar certo. Essas regras são ditas mais ou menos nos
seguintes termos: “se fica muito amigo da pessoa vira irmão e não namora”; ou
“os opostos se atraem”; ou “tem que ser muito parecido, se não, não dá certo”.
Esses dizeres podem envenenar o coração de alguém que já
está se relacionando , que talvez seja bem parecido com seu namorado, mas que
começa a se preocupar, pois afinal, são os opostos que se atraem. E isso não é
verdade! NÃO TOME SEU CASO PARTICULAR COMO GERAL.
Cada caso é um caso diferente, que envolve pessoas
diferentes. Mas existem algumas considerações gerais que podem ser ditas. E
isso veremos em outra oportunidade. Mas por hora, fica essa primeira
observação.
Deus nos ajude. Amém!
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Manuseando sabiamente os sábios dizeres da Bíblia
R. C. Sproul
Toda cultura parece ter a sua própria e única coletânea de sabedoria - breves insightsde seus sábios. Muitas vezes, essas porções de sabedoria são preservadas na forma de provérbios. Nós temos provérbios na cultura americana. Refiro-me a ditados como “um homem prevenido vale por dois” ou “dinheiro poupado é dinheiro ganho”.
A Bíblia, obviamente, tem um livro inteiro desses pequenos dizeres – o livro de Provérbios. No entanto, essa compilação de sábios dizeres é diferente de todas as outras coletâneas, visto que tais palavras refletem não apenas a sabedoria humana, mas a sabedoria divina, pois esses provérbios são inspirados por Deus.
Ainda assim, é preciso ter muito cuidado na forma como abordamos e implementamos esses sábios dizeres. Simplesmente o fato de serem inspirados não significa que os provérbios bíblicos são como leis, que impõem uma obrigação universal. Mas algumas pessoas os tratam como se fossem mandamentos divinos. Se nós os considerarmos dessa forma, incorreremos em todos os tipos de problemas. Os Provérbios, mesmo sendo divinamente inspirados, não se aplicam necessariamente a todas as situações da vida. Antes, refletem percepções que são, em geral, verdadeiras.
Para ilustrar esse ponto, deixe-me lembrá-lo de dois provérbios da nossa própria cultura. Primeiro, dizemos frequentemente: “Pense bem antes de agir!”. Essa é uma percepção valiosa. Mas nós temos outro provérbio que parece contradizê-lo: “Quem não arrisca, não petisca”. Se tentarmos aplicar esses dois provérbios ao mesmo tempo e da mesma forma, em todas as situações, ficaríamos completamente confusos. Em muitas situações, a sabedoria sugere que examinemos cuidadosamente onde devemos pisar, de forma que não nos movamos cegamente. Ao mesmo tempo, não podemos ficar tão paralisados, analisando os prós e contras do nosso próximo passo, que hesitemos demasiadamente antes de tomar uma decisão, ao ponto de perdermos as oportunidades quando elas se apresentarem a nós.
Naturalmente, não nos incomoda encontrar provérbios aparentemente contraditórios em nossa própria sabedoria cultural. Mas quando os descobrimos na Bíblia, nos encontramos lutando com perguntas sobre a confiabilidade das Escrituras. Deixe-me citar um exemplo bem conhecido. O livro de Provérbios diz: “Não responda ao insensato com igual insensatez” (26:4a). No versículo seguinte, lemos: “Responda ao insensato como a sua insensatez merece” (26:5a). Como podemos seguir essas instruções opostas? Como ambas podem ser declarações de sabedoria?
Novamente, conforme o exemplo dado acima, a resposta depende da situação. Há certas circunstâncias nas quais não é sábio responder ao tolo segundo a sua tolice, mas há outras circunstâncias nas quais é sábio responder ao tolo segundo a sua tolice. Provérbios 26:4 diz: “Não respondas ao insensato segundo a sua estultícia, para que não te faças semelhante a ele” (grifo nosso). Se alguém está falando tolices, geralmente não é sábio tentar falar com ele. Tal discussão não levará a lugar nenhum, e aquele que tenta continuar a discussão com o insensato está em perigo de cair na mesma tolice. Em outras palavras, há circunstâncias em que é melhor ficarmos calados.
Em outras ocasiões, todavia, pode ser útil responder ao tolo segundo a sua tolice. Provérbios 26:5 diz: “Responda ao insensato como a sua insensatez merece, do contrário ele pensará que é mesmo um sábio” (grifo nosso). Apesar de ser mais conhecida como uma forma de arte utilizada pelos antigos filósofos gregos, os hebreus já entendiam e usavam, por vezes no ensino bíblico, uma das formas mais eficazes de argumentação. Refiro-me a reductio ad absurdum, que reduz o argumento da outra pessoa ao absurdo. Por meio dessa técnica é possível mostrar a uma pessoa a conclusão necessária e lógica que flui de seu argumento e, então, demonstrar que as suas premissas levam, em última análise, a uma conclusão absurda. Portanto, quando uma pessoa possui uma premissa tola e dá um argumento tolo, isso, às vezes, pode ser usado de forma muito eficaz para responder ao tolo segundo a sua tolice. Você entra em seu território e diz: “Certo, eu vou assumir o seu argumento, levá-lo à conclusão lógica e te mostrarei a tolice que há nele”.
Assim, o livro de Provérbios tem o objetivo de nos dar orientações práticas para experiências diárias. É um tesouro negligenciado do Antigo Testamento, com riquezas incalculáveis em suas páginas, que está à nossa disposição, com o intuito de guiar as nossas vidas. Ele detém conselho real e concreto, que vem da mente do próprio Deus. Se quisermos sabedoria, esta é a fonte da qual devemos beber. Aquele que é tolo negligenciará esta fonte. Aquele que está com fome da sabedoria de Deus beberá sempre dela. Precisamos ouvir a sabedoria de Deus para darmos fim às muitas distrações e confusões da vida moderna. Porém, como deve acontecer em toda a Palavra de Deus, precisamos ser zelosos para aprender a lidar com o livro de Provérbios corretamente.
Texto encontrado aqui.
Texto encontrado aqui.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
O mesmo Jesus?
Existe uma dúvida costumeira e que vem atacando muita gente
boa que peca por desconhecer a verdade, e é um pecado que acaba até mesmo sendo
prejudicial para o reino, para a Igreja. Estou falando daquela situação em que
julgamos que a pessoa é sim um crente em Jesus, mesmo sendo de uma seita. “O
importante é crer em Deus.” “Jesus é o mesmo aqui e lá.” São exemplos de
dizeres a respeito desse assunto. Mas será?
Para ilustrar melhor
o que quero dizer, vamos imaginar a seguinte cena: Você, num dia qualquer,
resolve dar uma volta no shopping, pra por seus pensamentos em dia, conferir
novos livros, comer alguma besteira (boa), enfim. Daí resolve passar na loja
que um camarada seu trabalha. Então, lá, encontra-se com ele, que já estava a
conversar com uma cidadã. Você entra na conversa e vê que a garota é tão
simpática que mesmo seu amigo saindo o papo continua. E vocês conversam por
horas, sobre muita coisa. Você então volta pra casa. Encontra-se com outro
amigo seu, no outro dia, e conta pra ele da garota que você conheceu no dia
anterior, no shopping, na loja. Você fala do que conversaram e como ela é, e
que ela te disse que sempre vai lá naquele horário. Seu amigo, querendo conferir
se essa tal é mesmo tudo que você asseverou, resolve ir ao shopping, no horário
referendado. E então vê a descrição física da menina, toma coragem e resolve
puxar papo. Acontece que depois de muita conversa esse amigo fica convencido de
que essa garota é realmente tudo aquilo que você falou. Ele saí de lá e vai ao
seu encontro. Então ele te diz o que fez e então vocês começam a conversar
sobre a garota. A conversa ressalta muito bem quantas qualidades incríveis os
dois viram na menina, até que algo dá errado. Você comenta sobre o como ela
gosta de tocar bateria. Seu amigo, de prontidão, corrige dizendo “Guitarra.” E
você corrige também “Não, bateria, ela até disse que não entende nada de
guitarra, ela ficava fazendo aqueles gestos de baterista, como se estivesse com
uma baqueta imaginária, tocando uma bateria no ar.” Já seu amigo reafirma
“Cara, eu toco guitarra, e eu e ela comentamos de várias músicas difíceis de
tocar, de acordes complicados, ela me mostrou alguns macetes. Tenho certeza de
que ela toca guitarra.” Com todo esse embaraço, você e seu amigo começam a
ponderar algumas hipóteses. Será que a menina é mentirosa? Será que ela é
multitalentosa? Enfim, mas pra você ela disse que não entende nada de guitarra,
e seu amigo tem certeza de que ela entende. Será que seu amigo é mentiroso?
Então vocês resolvem investigar. Vão ao shopping para conversar com o amigo que
trabalha na loja onde a garota misteriosa vai. E pra surpresa sua e de seu
amigo, vocês encontram não só a tal garota, como... duas dela. Ah! Agora
explicado. São gêmeas. Parecidas. Problema solucionado.
Então, mas o que
tem a ver essa história com o problema levantado no início? Bem simples. Uma
vez que as características semelhantes das garotas estavam sendo comentadas,
sem que você e seu amigo soubessem que eram duas pessoas diferentes, vocês
tinham a impressão de que era a mesma garota. Mas quando uma pequena diferença
foi levantada, você se deu conta de que se tratava de pessoas distintas.
Ainda não percebeu
onde quero chegar? Apesar de “jesuses” serem apresentado aos montes por aí, e
de serem muito parecidos com o verdadeiro, algumas características o diferencia
dos demais. E só um Jesus pode salvar. Então,
nem todo lugar que fala de Jesus, de fato conhece o Cristo redentor. É importante
conhecer bastante do Jesus bíblico para saber diferenciar qual é o Cristo. E
ele é a Palavra encarnada, o Verbo Vivo. Alguns elementos são primordiais para
que não se confunda nosso Senhor com cópias defeituosas dele.
Vale ressaltar que
nem sempre se percebe facilmente a diferença entre o Jesus verdadeiro e o
falso. Assim como na estória você e seu amigo investigaram, às vezes vai ser
preciso um árduo trabalho de pesquisa. Muita gente acaba de boa-fé (de boa
intenção) conhecendo um Jesus fake, e deposita sua fé numa mentira, num deus
que não pode salvar. Então, fique claro que outro Jesus não é Cristo Jesus,
nosso Senhor e Salvador.
Somente a Ele Glória.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Tantas denominações...
Uma música bem conhecida do Fruto Sagrado com o PG (O Novo
Mandamento) começa com a seguinte letra: “Não entendo porque de tanta
denominação”. E este presente post vai explicar pra vocês que não entenderam um
(talvez o principal) motivo de “tanto nome de igreja”.
Para entendermos esse motivo, devemos entender o que vamos
chamar de Doutrinas Inegociáveis da Fé, e de Doutrinas Negociáveis. Talvez os
termos não sejam os mais precisos, mas não quero quebrar a cabeça com nomes,
contando que vocês entendam o significado do que vem a ser cada um.
Por Doutrinas Inegociáveis da Fé (DIF) entendemos como
aquelas doutrinas que são essências, que se retiradas comprometem totalmente a
fé. Lembrando um pouco Aristóteles e sua explicação sobre elementos essenciais do
ente e elementos acidentais, temos como elementos essenciais aqueles que se
retirados desconfiguram o ser. Como exemplo, temos o triângulo, e um dos
elementos essenciais é que ele tem três lados. Se retirarmos essa
característica dele, ele não será mais um triângulo. Com as DIF acontece a
mesma coisa. Se retiradas as doutrinas essenciais, não falamos mais em
cristianismo, mas em qualquer outra coisa, e bem sabemos que “qualquer outra
coisa” não é uma fé salvadora. Como exemplos de uma fé salvadora, viva, temos
como elementos essenciais a encarnação de Jesus, a deidade de Cristo
(totalmente homem, totalmente Deus) na encarnação, a ressurreição de Jesus, a
triunidade de Deus, a onipotência de Deus, a revelação de Deus nas escrituras,
entre outros. O que quero que percebam é que se retirarmos alguns desses
elementos, não temos mais Cristianismo.
Por outro lado, temos as Doutrinas Negociáveis (DN). Por
negociáveis não entendam como mercancia de doutrina! Nem que não exista uma
verdade sobre elas. Mas que se posicionar de forma equivocada sobre elas não desconfigura
o Cristianismo. Para facilitar a compreensão, vamos voltar a Aristóteles. Já
falamos dos elementos essenciais. Vamos agora aos elementos acidentais do ente.
Um triângulo, desde que tenha três lados, a soma dos ângulos internos seja 180º,
pode ainda sim ser diferente de outro triângulo quanto a cor das linhas, ao
tamanho dos lados, se é isósceles etc. Enfim, essas características que não
desfiguram o ente, mas diferencia o ente de outro com as mesmas características
essenciais, são os elementos acidentais.
No cristianismo encontramos muitos desses elementos em particulares
entendimentos, mas que não comprometem a fé da pessoa. Como exemplo tem o
batismo. Alguns acham que é por aspersão, outros por imersão. Entretanto, essa
convicção não compromete que os dois concordam com o sacramento e seu
significado.
Respondendo à dúvida levantada pela música temos uma
explicação racional. Acontece que a divergência nos elementos acidentais acaba
por gerar essa “divisão” de entendimento. E essa divisão acaba por gerar grupos
que querem sinceramente servir ao Senhor, cada um segundo seu entendimento. Daí
um possível e razoável motivo pra muitas denominações.
É preciso, entretanto, fazer algumas ressalvas quanto a essa
conclusão. I) nem toda “denominação” é de fato uma denominação, por falharem em
pontos essenciais. Esse entendimento facilita muito compreender o que é uma
seita. É uma pretensa denominação que falha nas DIF, e, portanto não pertence
ao corpo de Cristo. II) a divisão deve ser apenas quanto ao modo de servir, não
podendo criar divisão no corpo, a ponto de um Batista não considerar um
Presbiteriano um irmão. Devem se considerar, mutuamente, como irmãos em Cristo.
III) as DN ainda sim são doutrinas bíblicas, e por isso merecem atenção,
debates e busca pela verdade. O que não
pode acontecer é deixar essas divergências doutrinárias gerarem brigas,
inimizades. IV) e talvez mais importante, é que essa divisão deve desaparecer
cada vez mais nos corações dos irmãos que compreendem verdades sobre as DN.
Devem ser minimizadas. Cabe a todos nós lutarmos pela unidade no corpo, e
estudar, debater e difundir a verdade sobre tais doutrinas negociáveis é dever
de todos nós que amamos o Senhor e seu reino.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Regras para um bom debate
Recentemente tivemos um tema importante debatido entre amigos da igreja em uma programação. Enfim, eu juntei uma parte do livro do Norm Geisler e Frank Turek e acrescentei algumas considerações que julgo serem importantes sobre os debatedores. É importante ter em mente essas regras não só para debates formais, mas para qualquer conversa em que posições diferente são defendidas.
*Seguem-se
algumas lições do Doutor Norm Geisler sobre a verdade:
·“A verdade é descoberta, e não inventada. Ela existe independentemente do
conhecimento que uma pessoa tenha dela (a lei da gravidade existia antes de
Newton).
·A verdade é transcultural. Se alguma coisa é verdadeira, então ela é
verdadeira para todas as pessoas, em todos os lugares, em todas as épocas (2 +
2 = 4 para todo o mundo, em todo lugar, o tempo todo).
·A verdade é imutável, embora as nossas crenças sobre a verdade
possam mudar (quando começamos a acreditar que a Terra era redonda, em vez de
plana, a verdade sobre a Terra não mudou; o que mudou foi nossa crença
sobre a forma da Terra).
·As crenças não podem mudar um fato, não importa com que seriedade elas
sejam esposadas (alguém pode sinceramente acreditar que o mundo é plano, mas
isso faz apenas a pessoa estar sinceramente errada).
·A verdade não é afetada pela atitude de quem a professa (uma pessoa
arrogante não torna falsa a verdade que ela professa. Uma pessoa humilde não
faz o erro que ela professa transformar-se em verdade).
·Todas as verdades são verdades absolutas. Até mesmo as verdades que
parecem ser relativas são realmente absolutas (e.g., a afirmação "Eu,
Frank Tutek, senti calor no dia 20 de novembro de 2003"[1]
aparentemente é uma verdade relativa, mas é realmente absoluta para todo o
mundo, em todos os lugares, que Frank Turek teve a sensação de calor naquele
dia).”¹
*Temos
então algumas considerações sobre os debatedores:
* É preciso que se mantenha o foco no
que se quer defender. Para isso, é de suma importância a definição semântica
dos termos discutidos, para não acontecer de estarem defendendo a mesma ideia
(proposição), com termos diferentes. Em resumo, é importante determinar e
delimitar o que se defende.
*A delimitação vai dizer o
que não se pretende defender, enquando a determinação diz o que se pretende.
* Antes de partir pra um outro ponto é
preciso fechar ponto a ponto. É vetado o famoso “ataque em bando”. Ataque em
bando é a situação em que um dos debatedores apontam mais de um ponto
suscetíveis de discussão em um só argumento. Esse tipo de argumentação parece
ter finalidade de vencer por exaustão o adversário.
*Deve-se levar em consideração que não
responder um ponto não implica necessariamente em descrédito de todos os outros
argumentos do outro debatedor, a não ser que esse ponto seja crucial para toda
a argumentação. (Ex: não é possível continuar um debate sobre o que é moral e o
que não é, se um dos debatedores não consegue provar a existência da moral).
*Deve-se levar em consideração a
possível dialética. Isso é, se A se posiciona com argumentos X e B se posiciona
com argumentos Y, talvez pode-se aproveitar tanto de X quanto de Y, tendo um
resultado Z, que elimina os pontos fracos dos argumentos de A e B, e conciliam
os pontos aproveitáveis. Essa situação é bem difícil de acontecer, e exige
sinceridade e sabedoria dos debatedores.
Enfim,
irmãos, espero que o debate seja extremamente proveitoso pra todos. Leiam essas
regras mais de uma vez, se preciso. Serão importante não só pra esse debate,
mas pra vida toda.
Lembrem-se de que nós, cristãos, não precisamos temer entrar em nenhum debate. A verdade sempre venceu, e esteve ao nosso lado. Então você só vai perder se estiver mal preparado. E nenhuma verdade é anti-bíblica. Pelo contrário. Se uma verdade filosófica está em desacordo com a bíblia, então ou é uma mentira, ou sua interpretação bíblica está errada. Temos visto isso na história da igreja. Portanto, por Cristo e seu reino, dediquem-se em guerrear pela Verdade!
quinta-feira, 8 de março de 2012
Deus castiga?
Enfim, não vou enrolar. Vou direto ao ponto. Deus castiga ou não? Vejo muita gente falando do assunto sem embasamento bíblico. Tentarei resolver essa problemática aqui nesse post de forma rápida.
Primeiro, o que é castigo? Castigo é encarado como uma punição por um ato, como caráter retributivo (você quebrou, você concerta. Se não pode, você paga pelo prejuízo), mas também como algo educativo, quando um pai, e.g., não quer que o filho pague o estrago, mas que aprenda que estragar é errado.
Se encaramos o castigo com a concepção de caráter retributivo, então estamos corretos em afirmar que Deus não castiga. Pelo menos não os filhos, uma vez que todo castigo pelo estrago feito de nossos erros já foram pagos por Cristo. ("Havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, tirou-o [Jesus] do meio de nós, cravando-o na cruz." Colossenses 2:14).
Agora se, por outro lado, conseguimos ver o caráter educativo, com função ética do castigo, então estamos de acordo com: "Porque o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho.Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija?"Hebreus 12:6-7
Primeiro, o que é castigo? Castigo é encarado como uma punição por um ato, como caráter retributivo (você quebrou, você concerta. Se não pode, você paga pelo prejuízo), mas também como algo educativo, quando um pai, e.g., não quer que o filho pague o estrago, mas que aprenda que estragar é errado.
Se encaramos o castigo com a concepção de caráter retributivo, então estamos corretos em afirmar que Deus não castiga. Pelo menos não os filhos, uma vez que todo castigo pelo estrago feito de nossos erros já foram pagos por Cristo. ("Havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, tirou-o [Jesus] do meio de nós, cravando-o na cruz." Colossenses 2:14).
Agora se, por outro lado, conseguimos ver o caráter educativo, com função ética do castigo, então estamos de acordo com: "Porque o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho.Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija?"Hebreus 12:6-7
Assim, vale lembrar também que Deus não necessariamente castiga todo pecado cometido. Ele tem total legalidade para não punir, uma vez que todo o estrago já foi pago. Tem total legalidade pra não castigar de forma alguma, já que o Crente pode se encontrar profundamente arrependido e educado quanto ao malefício do tal deslize cometido.
Nestes termos, podemos concluir que Deus castiga sim. Não para punir, mas para educar, e isso, que fique claro, quando lhe aprouver fazê-lo. Não é regra que ele castigará. Se ele castigar, seus olhos não devem ver um carrasco, mas de um pai amoroso tirando a faca da mão de um bebê.
Objeção à reflexão filosófica (III)
Na primeira parte deste breve ensaio abordamos a objeção bíblica no que diz respeito a reflexão filosófica. Na segunda parte vimos a objeção teológica. Agora vejamos na parte III:Objeção Dogmática.
Objeção dogmática
Chamo este ponto de objeção dogmática, pois é a mais infundada de todas as objeções. É pura e simplesmente baseada no senso comum, que por sua vez é o pensamento de quem tem preguiça de pensar. É uma objeção fundamentalista e epistemologicamente desprovida de seriedade. Ou seja, o dogmático apenas versa sobre algo como enxerga este algo, ou como ele aparece ser e não como é de fato. Então, se a maioria dos filósofos são ateus e hostis ao cristianismo, a filosofia passa a ser sinônimo de incredulidade. Ora, quer dizer que se a maioria dos pastores são “a pior espécie de hipócritas”, todos devem ser? Claro que não, Deus tem seus remanescentes, alguns que não se dobram a Baal, inclusive na filosofia.
Quanto a esta precipitada constatação (de que toda filosofia é ateísta) devemos ir com calma. Luis Sayão nos diz que “ainda que fosse verdade, a validade da filosofia não estaria necessariamente ameaçada” (2001, p. 8). Ora, quando você vai ao médico você não está interessado se ele é cristão ou não, mas se ele é um bom profissional. E nem quando lê o jornal e a revista semanal fica questionando se quem escreveu é cristão, apenas queremos a verdade dos fatos noticiada fielmente, e isto porque sabemos que a graça comum de Deus permeia toda a existência, de modo que a verdade é a verdade quem quer que seja seu portador.
Este aspecto ontológico da verdade deve nos fazer lembrar aos dogmáticos que por outro lado, temos filósofos de destaque em toda história que acreditavam de todo coração nas verdades cristãs. Nomes como Agostinho, Anselmo, Aquino, Blaise Pascal e Kierkegaard são grandes exemplos.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Objeção à reflexão filosófica (II)
Na primeira parte deste breve ensaio abordamos a objeção bíblica no que diz respeito a reflexão filosófica. Agora vejamos na parte II: Objeção Teológica.
Tertuliano
Todas as críticas da interação cristianismo-filosofia parecem remontar a Tertuliano (séc. I-II), advogado romano do século III que se converteu ao cristianismo. É bem provável que ele tenha sido o primeiro a questionar o papel da filosofia para a compreensão dos conteúdos evangélicos e também o primeiro a negar aos cristãos o acesso a herança intelectual e cultural para propósitos evangelísticos. Wolfhart Pannenberg (2008, p.18) confirma este dado:
"A concepção de que a doutrina cristã nada tem haver com a filosofia, e que toda ligação com o pensar filosófico seria paga com o preço de sua autenticidade como teologia da revelação, reiteradamente se tem reportado a Tertuliano como seu ancestral ".
Sua famosa pergunta retórica ecoa até hoje: “Que relação há entre Atenas e Jerusalém? Que importância tem a Academia de Platão tem para a igreja?” A resposta parece ser clara para Tertuliano: o cristianismo deve se manter distante da reflexão filosófica não importa quão louvável sejam os motivos.
Porém, é no mínimo estranho Tertuliano ter questionado o papel da filosofia, uma vez que ele era alguém versado no conhecimento , apologista da fé cristã e profissional em retórica . No entanto, a resposta parece estar em seu rigoroso ascetismo e exagerado conceito de santidade. Para Tertuliano a igreja deve se manter santa e incontaminada, e este conceito seria o cerne de sua teologia. Wiliston Walker (2006, p. 98) diz que observar as palavras de Deus, segundo Tertuliano, significa uma existência separada do mundo, o qual tinha o culto idólatra dos demônios. Maurice Nédoncelle (1905-1976), filósofo e teólogo francês, também observa que:
"Para ele (Tertuliano), heréticos e filósofos são uma coisa só: fazem as mesmas perguntas, exploram os mesmos domínios, perguntam-se de onde vem o mal, porque e de onde vem o homem, como é constituído o universo, etc. Eles respondem com o auxilio de princípios obscuros que acham peremptórios e que se reduzem a palavras pedantes e ridículas" (1958, p. 33).
Para não fazer injustiça a importância de Tertuliano na história do cristianismo, Norman Geisler (2002, p. 825-826), renomado apologista cristão, sai em sua defesa dizendo que Tertuliano é acusado falsamente de irracionalismo, e que apesar de sua forte influencia na fé, ele acreditava que havia um papel importante para a razão humana na defesa da religião cristã.
Karl Barth
Alister Macgrath (2005, p.260), professor de teologia histórica na Universidade de Oxford e um dos mais influentes pensadores cristãos da atualidade, sugere que a atitude mais negativa diante da interação cristianismo-filosofia, adotada na teologia cristã recente, tenha sido a de karl Barth. Porém, isto não quer dizer necessariamente que Barth fosse contra o estudo da filosofia , ou um antiintelectual. Barth na verdade por seu próprio mérito se veio a firmar-se como um grande intelectual. Sua crítica, no entanto, era contra o uso da filosofia e revelação natural como um ponto de contato (Anknüpfungspunkt) da revelação divina com a natureza humana para fins evangelísticos. Para Barth, Deus não precisa de nenhuma ajuda para tornar-se conhecido. Quanto a este assunto, ele diz:
"Deus não se dá a conhecer pelos poderes do conhecimento humano; só se pode apreendê-lo, e ele só se deixa apreender por causa de sua própria liberdade, decisão e ação" (BARTH apud MACGRATH, 2008, p.30).
A critica que se faz da teologia existencialista de Barth, pelo menos por parte dos apologistas-polemistas da fé cristã, é justamente o caráter fideista do sistema barthiniano. Francis Schaeffer (2007, p.43) em A morte da razão diz que no existencialismo religioso de Barth “não há lugar para a razão e nem ponto de verificação”. E segundo Alister Mcgrath, isto é um problema que se volta contra o próprio sistema neo-ortodoxo barthiniano. Ou seja, como a alegação de Barth é exclusivamente baseada na revelação divina, ela não pode ser avaliada senão por essa mesma revelação, desembocando necessariamente em um círculo vicioso. Em outras palavras, Mcgrath diz que “não existem pontos de referências externos, pelos quais as alegações da neo-ortodoxia possam ser verificadas” (2005, p.145).
Por Daniel Grubba no Soli Deo Gloria
Tertuliano
Todas as críticas da interação cristianismo-filosofia parecem remontar a Tertuliano (séc. I-II), advogado romano do século III que se converteu ao cristianismo. É bem provável que ele tenha sido o primeiro a questionar o papel da filosofia para a compreensão dos conteúdos evangélicos e também o primeiro a negar aos cristãos o acesso a herança intelectual e cultural para propósitos evangelísticos. Wolfhart Pannenberg (2008, p.18) confirma este dado:
"A concepção de que a doutrina cristã nada tem haver com a filosofia, e que toda ligação com o pensar filosófico seria paga com o preço de sua autenticidade como teologia da revelação, reiteradamente se tem reportado a Tertuliano como seu ancestral ".
Sua famosa pergunta retórica ecoa até hoje: “Que relação há entre Atenas e Jerusalém? Que importância tem a Academia de Platão tem para a igreja?” A resposta parece ser clara para Tertuliano: o cristianismo deve se manter distante da reflexão filosófica não importa quão louvável sejam os motivos.
Porém, é no mínimo estranho Tertuliano ter questionado o papel da filosofia, uma vez que ele era alguém versado no conhecimento , apologista da fé cristã e profissional em retórica . No entanto, a resposta parece estar em seu rigoroso ascetismo e exagerado conceito de santidade. Para Tertuliano a igreja deve se manter santa e incontaminada, e este conceito seria o cerne de sua teologia. Wiliston Walker (2006, p. 98) diz que observar as palavras de Deus, segundo Tertuliano, significa uma existência separada do mundo, o qual tinha o culto idólatra dos demônios. Maurice Nédoncelle (1905-1976), filósofo e teólogo francês, também observa que:
"Para ele (Tertuliano), heréticos e filósofos são uma coisa só: fazem as mesmas perguntas, exploram os mesmos domínios, perguntam-se de onde vem o mal, porque e de onde vem o homem, como é constituído o universo, etc. Eles respondem com o auxilio de princípios obscuros que acham peremptórios e que se reduzem a palavras pedantes e ridículas" (1958, p. 33).
Para não fazer injustiça a importância de Tertuliano na história do cristianismo, Norman Geisler (2002, p. 825-826), renomado apologista cristão, sai em sua defesa dizendo que Tertuliano é acusado falsamente de irracionalismo, e que apesar de sua forte influencia na fé, ele acreditava que havia um papel importante para a razão humana na defesa da religião cristã.
Karl Barth
Alister Macgrath (2005, p.260), professor de teologia histórica na Universidade de Oxford e um dos mais influentes pensadores cristãos da atualidade, sugere que a atitude mais negativa diante da interação cristianismo-filosofia, adotada na teologia cristã recente, tenha sido a de karl Barth. Porém, isto não quer dizer necessariamente que Barth fosse contra o estudo da filosofia , ou um antiintelectual. Barth na verdade por seu próprio mérito se veio a firmar-se como um grande intelectual. Sua crítica, no entanto, era contra o uso da filosofia e revelação natural como um ponto de contato (Anknüpfungspunkt) da revelação divina com a natureza humana para fins evangelísticos. Para Barth, Deus não precisa de nenhuma ajuda para tornar-se conhecido. Quanto a este assunto, ele diz:
"Deus não se dá a conhecer pelos poderes do conhecimento humano; só se pode apreendê-lo, e ele só se deixa apreender por causa de sua própria liberdade, decisão e ação" (BARTH apud MACGRATH, 2008, p.30).
A critica que se faz da teologia existencialista de Barth, pelo menos por parte dos apologistas-polemistas da fé cristã, é justamente o caráter fideista do sistema barthiniano. Francis Schaeffer (2007, p.43) em A morte da razão diz que no existencialismo religioso de Barth “não há lugar para a razão e nem ponto de verificação”. E segundo Alister Mcgrath, isto é um problema que se volta contra o próprio sistema neo-ortodoxo barthiniano. Ou seja, como a alegação de Barth é exclusivamente baseada na revelação divina, ela não pode ser avaliada senão por essa mesma revelação, desembocando necessariamente em um círculo vicioso. Em outras palavras, Mcgrath diz que “não existem pontos de referências externos, pelos quais as alegações da neo-ortodoxia possam ser verificadas” (2005, p.145).
Por Daniel Grubba no Soli Deo Gloria
segunda-feira, 5 de março de 2012
Objeção à reflexão filosófica
A interação entre filosofia e cristianismo é uma relação de amor e ódio. Desde os primórdios da fé cristã até os dias modernos esta parece ser uma questão ainda não resolvida.
Os que advogam a irrelevância do conhecimento filosófico para o cristianismo, naturalmente se armam de uma série de argumentos filosóficos e sem querer tornam-se contraditórios, pois argumentam mediante um processo que condenam. E foi por esta ironia que o filósofo e matemático francês Blaise Pascal disse: “Zombar da filosofia é, em verdade filosofar” (PASCAL apud SAYÃO, 2001, p.10). Isto é, todo aquele que ridiculariza o exercício filosófico, somente o faz através de uma reflexão filosófica. Entretanto, a questão é a qualidade desta reflexão, se é consistente ou não. Vejamos então as principais objeções dos críticos da interação entre o cristianismo e a filosofia.
Objeção bíblica
A primeira objeção sempre parecer ser esta: textos bíblicos. E é natural que seja assim. Isto porque este tipo de crítico da interação cristianismo-filosofia, pela pobreza de alcance de sua argumentação filosófica, sempre se valerá de algum versículo que encerre a discussão sem maiores reflexões. Seu método argumentativo, em virtude da preguiça intelectual, se dá através do caminho mais rápido e fácil: a recitação de versículos antiintelectuais.
Vejamos apenas dois textos comumente usados para refutar o estudo da filosofia: Colossenses 2.8e 2 Coríntios 3.6
Colossenses 2.8 – Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo.
Uma leitura superficial parece sugerir uma condenação paulina acerca do exercício filosófico. Todavia, um estudo mais detalhado do contexto histórico-religioso da igreja em Colossos deixa claro que Paulo não estava condenando a filosofia em si, mas um tipo específico de filosofia: a filosofia vã e enganosa. De acordo com as evidências externas e internas do texto, é possível que Paulo esteja condenando um sistema de pensamento sincrético, que mistura elementos judaizantes e gnósticos . Além do mais, Paulo era um ex-fariseu, erudito da principal academia judaica do primeiro século (escola de Hillel) e um profundo conhecedor da filosofia e literatura grega (Atos 17.27, 28; Tito 1.13,14). Cabe uma pergunta aqui: Como Paulo poderia condenar algo que, em algumas ocasiões serviram para ele como “ponto de contato” com a cultura específica de um determinado local, conforme mostra com exatidão o registro de sua homilia com os filósofos de Atenas (Atos 17.15-34)?
2 Coríntios 3.6 – Ele nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica.
Este texto parece ser o mais usado contra aqueles que procuram desenvolver uma vida intelectual no ambiente cristão, principalmente os que declaram seu “amor pela sabedoria” (significado etimológico da palavra filosofia). Eu mesmo cansei de ouvir esta ameaça: irmão cuidado, a letra mata! Na verdade, eu sei que meus irmãos não fazem por mal, pois a sinceridade de sua crítica ao intelectualismo reside no fato de que no processo do acúmulo cognitivo do saber, muitos cristãos se tornam inoperantes e improdutivos no pleno conhecimento do Senhor (2 Pedro 1.5-9). Todavia, uma coisa é a experiência do fracasso espiritual de alguns, outra complemente diferente é usar um texto fora de contexto. Trata-se, pois, de um argumento falacioso.
Como este breve ensaio não tem objetivo exegético, basta elucidar que o texto bíblico em questão não se refere a reflexão filosófica ou ao estudo diligente das letras, mas aborda o perigo do legalismo. Isto é, ao fatal apego a Lei mosaica para a salvação. E por esta razão, a afirmação de Paulo é contundente em dizer que a “letra mata”. A perícope de 2 Co. 3.1-18 é uma questão teológica tipicamente paulina. De acordo com Rick Nañez “a letra a que Paulo se refere é simplesmente a lei da antiga aliança” (2007, p.70).
Por Daniel Grubba no Soli Deo Gloria
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Podemos usar boné e bermuda na igreja?
Minha primeira dificuldade ao escrever esse post é sobre como classifica-lo. Qual Marcador? Afinal, a exigência é tão difícil de se justificar, como encontrar a classificação do assunto. Entretanto, essa exigência se faz presente em muitos templos nos dias de hoje. Então, vamos lá.
Elencarei alguns argumentos e tentarei refutá-los com raciocínios simples. Caso eu esteja errado, quero que comentem e me ensinem. Caso contrário, leve esses argumentos adiante.
1º Argumento: Você não vai no fórum com essa roupa
Aparentemente um bom argumento. Se eu vou todo arrumado no fórum, porque não posso ir à igreja bem arrumado e “devidamente” trajado? Esse argumento pode ser transvestido de outras formas, como “Você não vê o presidente assim, não é mesmo?”.
2º Argumento: Isso é falta de respeito.
Esse argumento é derivado do primeiro. Afinal, se no fórum eu me porto de forma respeitosa em questão de vestimento, o que dizer então na igreja. Sem contar que quem está na igreja é bem mais importante que os juízes, promotodes, defensores públicos, advogados, presidentes etc.
Esses dois argumentos tem um coração que os justificam. Entretanto, se esse coração falhar, esses argumentos morrem. E esse coração é a consideração que a igreja é casa de Deus. Uma falha catastrófica, que leva a comportamentos ruins.
O problema se torna mais grave quando se trata de jovens e adolescentes. Uma vez li um articulista dizendo, sabiamente, que pro adolescente que está naquela transição de cabelo curto pra grande, passa pelo momento em que o cabelo fica horrível. Nesse momento, o boné passa a ser parte do corpo dele. Onde o boné não é bem vindo, ele não é! Se esse jovem não pode entrar de boné na igreja, ele não vai à igreja. Simples assim. Mesmo porque, aquela menina tão lindinha que ele é apaixonado a alguns anos vai ver aquela juba feia (mas que vai ficar bonita, pelo menos na cabeça do cidadão). Isso não pode acontecer!
A igreja não é casa de Deus, jovens senhores. Vejamos o que Paulo, discutindo com os atenienses (peritos em criar casas para deuses):
O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens
Atos 17:24
Atos 17:24
Também vejamos essas palavras sagradas:
No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito. Efésios 2:22
Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? 1Coríntios 3:16
Estes textos, ao meu ver, já são em si um raciocínio completo demonstrando que o templo onde se presta culto público não é casa de Deus. Deus habita em toda criatura regenerada, manifestadamente, na pessoa do Espírito Santo. Os crentes convertidos, estes sim são casa de Deus.
Sendo assim, vamos direto aos argumentos
1º Não, realmente eu não vou ao fórum ou a qualquer lugar solene com bermuda e boné. Entretanto, ainda que aqui fosse casa de Deus, seria casa do meu pai. Eu não fico em casa de terno e gravata. O rei veio humildemente à terra. Não veio por cima. Sendo rei, não se vestiu em panos finos e caros. Mas se adornou em obras perfeitas, humildes e majestosas, dignas de sua natureza. Lavou os pés dos apóstolos, se misturou com a multidão. Se estivesse tão destacado em vestes, seria distinguido da multidão e teria tomado pedrada depois de afirmar ser Deus em João 8: Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou. João 8:59
Ele saiu do templo, meu caro leitor. Ele se vestia como a multidão e não com a mais fina roupa. E se algum de nós quer seguir exemplo de alguém que agradou a Deus, como homem, do início ao fim, temos o perfeito Cristo.
2º Considerando que é falta de respeito, eu queria saber uma coisa. É falta de respeito dentro da igreja e fora da igreja não? Porque seria falta de respeito? Falta de respeito com quem? Com Deus ou com você? Se for com Deus, voltamos ao ponto de que Deus está fora e dentro do templo. Sendo assim, a proibição deveria ser dentro e fora do templo. Essa questão de falta de respeito é bem complicada. Na verdade eu acho uma falta de respeito exigir que alguém use terno e gravata num calorão. Agora onde é que está a falta de respeito em usar uma bermuda? Atentado violento ao pudor? Bermuda e boné não atentam contra a moral, portanto, não atentam contra respeito. Não é falta de respeito, meu caro. Só é contra seu gosto, no máximo. Deus não desaprova.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Oi. Você vai morrer!
Introdução
Talvez nem todos estejam familiarizados com uma história linda que irei falar a respeito. Na verdade, ela já era muito linda e ficou mais ainda quando entendi a explicação de um texto, no último acampamento que fui, nesse fim de semana. Uma boa notícia que mudou o coração amargurado de um figurassa!
A situação começa quando um camarada impulsivo chamado Pedro faz uma bobeira enorme. Ele nega Jesus, covardemente, por 3 vezes. E depois desse acontecimento (que espero que todos se lembrem. Caso contrário o post não será tão impactante quanto foi pra mim e quem entendeu) preciso que uma imagem paire no ar.
As sagradas letras nos dizem que Jesus olhou para Pedro, logo após ele ter negado Jesus. (“E, virando-se o Senhor, olhou para Pedro, e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Antes que o galo cante hoje, me negarás três vezes.” Lucas 22:61). Pode imaginar qual foi o semblante de Jesus? Talvez do tipo que diz: “Eu não falei.” (sabe aquele tipo de mãe que diz que você ia fazer cagada, e depois da cagada vem com um ar de “não foi por falta de avisar”? Então, to falando disso.); Quem sabe um olhar irado por aquele vexame do apóstolo que conviveu com a encarnação da simpatia. Era de fato muito grilante, e essa face irada é, a priori, logicamente possível. Mas eu não vejo isso. A título de especulação, mas não uma desprovida de motivação, eu entendo que Jesus olhou com um olhar de misericórdia, do tipo “cara, não esquenta. Eu te curto!” Isso me “quebraria” muito mais. O primeiro olhar que falei me daria raiva. O segundo, medo. Mas o terceiro me faria chorar de vergonha e arrependimento. E o Pedrão chorou muito. “E, saindo Pedro para fora, chorou amargamente.” Lucas 22:62
Tendo isso em mente, vamos para João 21: 15-19 (leia! É bem rápido) =]. Clicando no texto ali, vai direto pra página. (Isso pra você que, como eu, tem preguiça de ficar abrindo a bíblia enquanto está lendo artigo)
Considerações iniciais do texto
Nesse ponto Jesus já ressuscitou. Pedro e alguns outros discípulos, como o Dídimo (o Tomé), vão pescar. Uma música do João Alexandre, chamada Vou Pescar, parece retratar muito bem a mente do apóstolo explosivo. A letra diz “Vou pescar, parece que acordei de um longo sono. Parece até que eu parei no tempo. Parece até que nada aconteceu. Quem sabe ele apareça novamente. Quem sabe volte a me chamar de amigo. Quem sabe chegue andando sobre as águas. Quem sabe?” Tentar entender a mente deles nesse momento é doloroso. Pedro não tinha tido uma conversa direta a respeito daquele acontecimento lamentável na página de sua vida com Deus. Ele já tinha sido perdoado. Já se arrependera. Entretanto, ainda existia aquela ferida vergonhosa do que foi feito. Pedro, aquele em que pelo Espírito disse quem Jesus de fato era, tinha sua história com A Verdade Encarnada manchada. O Senhor disse “Será pescador de homens” numa cena parecida com a que viria (Pedro quando foi chamado a primeira vez por Jesus, convidado a ser pescador de homens, estava pescando, mas não havia sido bem sucedido). A história se repete como um lindo final de filme. Jesus aparece novamente aos discípulos pedindo peixe. Mas esses não reconheceram, até que ele pede pra jogar a rede novamente, já que os discípulos não tinham pescado nada. Daí, a cena se repetiu. Muitos peixes na rede e o reconhecimento de João : “É o Senhor”. Que cena linda!
O confronto
Enfim, vamos adiantar um pouco a cena. Jesus está com Pedro, depois de terem comido pães e peixes. Jesus pergunta por 3 vezes se Pedro o ama. Entretanto, uma coisa fica bem mais claro quando recorremos à linguagem original. Jesus pergunta usando agapao duas vezes, usando o sentido de um amor deliberado. Pedro responde com phileo/fileo. O Phileo é uma forma menos intensa de amor, correspondente a, talvez, “gosto de” (lições de F.Davidson). Na verdade o “Fileo” é um amor inferior ao amor agapao. Tendo isso em mente, a cena se passa com Jesus perguntando se ele amava com um amor elevado, e Pedro respondendo que amava com um amor não tão grande, como aquele de Mc 14:29 (“E disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, nunca, porém, eu.”Marcos 14:29), mas com um amor sincero, porém inferior. Posso estar errado, mas da a entender que Pedro amadureceu. Talvez ele não fosse mais tão tolo para afirmar um amor tão grande, sabendo ele como fora podre, como ele de fato é podre. Ele havia sido perdoado sim, por Jesus, mas a ferida estava ali, com Pedro. E por fim, Jesus rebaixa o nível do amor e pergunta a terceira vez, mas agora, usando Fileo também. 3 vezes... é claro que isso lembrava uma história passada. E mais, não só repetiu 3 vezes a pergunta, como perguntou agora sobre o amor inferior que ele anunciou. Porque Jesus estaria ressuscitado uma história que trouxe tanta dor e vergonha para Pedro?
A notícia
A resposta vem em seguida. E é aqui a grande sacada. Quando li pela primeira vez a resposta de Jesus, pensei que Jesus estaria dando uma má notícia para Pedro. Mas não. Definitivamente não. Jesus anunciou que Pedro ia ter uma morte sinistra, humilhante, dolorosa...
...
E a boa notícia?
Sim, essa foi a boa notícia. Se você conferir o texto Jesus só não disse que ele ia morrer, mas que ele ia ser fiel. Confira (percebeu?). Dessa vez, Pedro não negaria. E por não negar, ele morreria. Isso é lindo, gente. É o que Pedro talvez mais quisesse ouvir, sabe por quê? Depois daquela conversa ali atrás, acho que eu mesmo me perguntaria se realmente amo o Senhor. Mas Jesus disse algo do tipo “Pedrão, você me ama mesmo. E isso é tão verdade, cara, que quando você puder me negar novamente, morrerá por amor.”
Emocionante, não? Termino com a frase de um amigo, que disse algo parecido com: “Uma história linda, onde um morreu pelo outro.” Um por amor deliberado, que tomou iniciativa. O outro por ser amado primeiro, e amar depois. Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro. 1 João 4:19
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